quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Frases

Quando metem no facebook um meme de malta a rir que diz "When people without kids tell me they´re exhausted" apetece-me desatar ao estalo!
E responder...



E atirar mais umas quantas para o ar... 






terça-feira, 19 de setembro de 2017

http://abcnews.go.com/Lifestyle/woman-documents-vitro-fertilization-journey-incredibly-honest/story?id=49928379

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Goodbye serenity hello big mess!

Ciclo marado, temperatura basal que é um mistério, ovulação já deve ter sido isto quando estou no dia 10 do ciclo...
Mandei mail ao Dr. Sérgio, a perguntar a que dia do ciclo convém marcar consulta para programar a TEC!

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Alien

Nos tempos em que as notícias de segundos filhos abundam sinto-me um alien. Um ser do outro mundo, verde esquisito e muito diferente dos outros seres que habitam o planeta!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A laparoscopia e a segunda menstruação

Olá vida!
Este segundo ciclo foi infinitamente melhor. Tive dores, em especial no primeiro dia, tive que intercalar nimed com nolotil, mas no segundo dia já só tomei nimed e hoje ainda não tomei nada. É certo que ajudou e muito ter calhado ao fim de semana e ter podido parar e descansar sempre que necessário, mas mesmo assim acho que foi bastante melhor.
No ciclo passado custava-me imenso urinar, sentia o útero enorme e esvaziar a bexiga era algo demorado e doloroso. Desta vez zero sintomas. Uff!
Para quem duvida dos efeitos da cirurgia à endometriose, na qualidade de vida da mulher, eu sou o exemplo vivo que comprova os seus benefícios . Feita por especialistas é uma diferença do dia para a noite. Menstruação pré cirurgia foi insuportável,  terrível, desumana, a primeira menstruação pós-cirurgia foi difícil mas incomparavelmente melhor e continuo a melhorar. É possível viver melhor com endometriose. TER DOR NÃO É NORMAL, não deixem que ninguém vos convença disto, nunca!
Pedi pouco, mas este pouco é tanto!!!

sábado, 2 de setembro de 2017

Serenidade

Hoje começou a menstruação e como já disse só espero e peço alguma paz em termos de dores, o resto vai-se arranjando.
Desculpem ser tão gráfica, mas nisto dos ciclos naturais, FIV/ICSI, infertilidade no geral, o dia em que se vê sangue é um dia de conclusões e é um momento sempre estranho, não sei se complicado é a palavra, mas é uma altura de nova constatação da dura realidade o que não é, nem pode ser fácil. O sangue é um dos piores inimigos da mulher infértil. No entanto, com uma menstruação no dia esperado, começa um novo ciclo e fica a ideia que não nos enganámos no dia da ovulação e que tudo está a rolar como deveria, isto na vida de quem já pouco pede, ser regular e não ter spotting são dois bónus.
Neste ciclo que se inicia deposito todos os sonhos do mundo. Porque não? Que mal faz sonhar? Se não acontecer não acontece, temos a TEC e planos de uma nova FIV no futuro, se nada correr bem, não faz mal, ainda nos resta a DO, e se não resultar, bem, se não resultar teremos que trabalhar para ser felizes os dois, a vida terá que ser mais do que a infertilidade e o enorme desejo de ser mãe. Vamos tentar pensar de forma positiva e sobretudo trabalhar na aceitação daquilo que a vida me for dando.

"Concedei-nos Senhor, serenidade necessária, para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguirmos umas das outras."
Reinhold Niebuhr

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O que vai cá dentro #7

Bom, os dias sucedem-se e este primeiro ciclo chega agora ao fim. Como faço suplementação com progesterona, na 2ª metade do ciclo, não há spotting e, nesse campo, tudo bem, tudo normal. Anunciam-se, estes dias, os sintomas da chegada da menstruação, o frio, o cansaço extremo, a vontade mais repetida de fazer chichi e as contracções uterinas, a dor, o de sempre e que não deixa margem para dúvidas. Nesse aspecto tenho a "sorte" de conhecer o meu corpo e de na maioria dos ciclos não ter de esperar os 14 dias para ter certezas, salvo algumas excepções em que fui enganada. No ciclo de FIV bastou-me o frio para saber. Tenho sorte também, de não ter nenhum efeito secundário da progesterona, nem tão pouco sensibilidade mamária, essa só surgiu com o pregnyl, de resto não há medicação que interfira aqui com esta zona.
Não pensem que me venho lamentar deste ciclo ser negativo. Claro que era bom, maravilhoso e merecido este ciclo ser o derradeiro, mas tenho noção que é mais difícil do que encontrar uma agulha num palheiro. Não me tenho iludido nada. Tenho ido ao sabor do vento e tive uma gripe feiosa que não me permitiu lembrar-me muito da coisa. Sei através de controlo e de testes de ovulação quando ovulei, mas não mais do que isso, sei que tive um óptimo fim de semana cheio de sorrisos e alegria a seguir à ovulação, o tão famoso "relaxa que acontece" também não é a desculpa desta vez.
Agora, a única coisa que verdadeiramente peço é que esta menstruação me poupe, em termos de dor e de mau estar.  A que ponto cheguei, os meus pedidos resumem-se a não ter dores. O resto, não há Deus, nem talvez médicos que me ajudem.
Nos últimos dias muitas das conversas à minha volta são sobre o tema filhos, gravidezes, partos. Lá estou eu na plateia, a ver a vida dos outros passar enquanto a minha está parada. Tenho estado quase anestesiada, tem sido assim.
Sentir o amor que sinto pela minha afilhada, vê-la chamar-me feliz e encantada de "madinha" olhar os seus olhos lindos fazem-se sentir feliz, muito feliz e triste muito triste. Se este amor já é tão grande imagino, tento imaginar, o que será o amor por um filho nosso. Mais uma vez teimo em não conseguir esquecer, ainda que por um segundo, os dois anos de infertilidade e é cada vez mais difícil conseguir acreditar.
Para a semana estou de férias, ao menos isso.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Let it go?

Time keeps flying

And you keep on trying
You gotta get up, get up, get up
And do it Good
Life is precious
Full of treasures
You gotta get up, get up, get up
And live it out
This constant struggling
Maybe It's meant to be
Somehow i believe
You gotta get up, get up, get up
And make it real
You gotta get up, get up, get up
Theres a reason for everything
And let it go


Passava esta música na rádio quando uma colega me dá a boa-nova. Está grávida, do segundo filho. Claro que fico feliz por ela, pois era esse o seu desejo. Claro que quero que corra tudo bem com ela com a gravidez e que tenha um bébé lindo e saudável. Que tipo de monstro seria eu, se não fosse este o meu desejo. Não é nada disso! Mas agora era a minha vez, era eu que merecia essa alegria, essa felicidade, era eu. Da última vez que ela esteve grávida eu também engravidei e poderíamos ter flhos da mesma idade, praticamente. Poderia ser eu agora a tentar o segundo e nem o primeiro ainda tive. É demasiado duro e injusto, é cruel.
Tal como o Dr. António Setúbal aconselhou estamos a tentar naturalmente e vendo ciclo a ciclo. Vamos ver como será esta menstruação e se o próximo ciclo vai acontecer, pois se for doloroso não há hipótese pílula contínua e em Outubro vamos tentar ir buscar o nosso bonequinho de neve.
Deixar ir? Seria melhor?

"Time keeps flying 
nd you keep on trying(...) this constant struggling (...) Theres a reason for everything, let it go."

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Limpezas de verão ...

...esse grande flagelo!
Lavar tudo, limpar tudo, despejar armários e gavetas e esfregar paredes!
Limpar o pó, lavar roupas e cortinados, dizer adeus aos ácaros gordinhos que habitam a casa e renovar o ar, e a energia! Deitar fora, dizer adeus a coisas, a objectos! Pôr tudo a circular!
Muito maravilhoso e lírico... Mas tenho uma dor de costas e de pernas que mal me ponho em pé! Foi um belo fim de semana! E amanhã há mais!
A única coisa boa é que enquanto se anda nisto não se pensa nas desgraças!
Bom feriado!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Been there done that

Os sentimentos e as loucuras da infertilidade.
Compreendo perfeitamente cada uma das ilustrações e já as senti e vivi a todas.
Apesar de tudo, ao ver estas imagens sinto-me menos tola e menos sozinha.
<3


Link da história, desta e de outras imagens:
http://www.huffingtonpost.com/entry/moms-comics-show-how-isolating-and-draining-infertility-is_us_5978d28ee4b0c95f37610387

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Oopah!

Mas hoje é só vídeos de grávidas e recém nascidos a invadirem o meu Facebook?
Oh sorte!

sábado, 5 de agosto de 2017

A IVI diz

Relaxe. Aproveite. Sonhe.

E não era mal pensado ! O problema é que num bai dar (sempre quis escrever isto)!!

Fiz a cirurgia e tive a primeira menstruação, que foi complicadota, estava à espera de uma coisa mais soft, mais simpaticazinha, tendo em conta que agora, supostamente, está tudo arranjadinho (dentro dos possíveis) cá dentro!
Outras endogirls acalmaram-me, disseram-me que pode ter sido por ser a primeira menstruação, após a cirurgia, que só fui operada há 4 semanas, e que depois as dores podem ir melhorando. Espero profundamente que sim, porque foi um bocado difícil fazer a minha vidinha nestas condições.
De resto vamos andando, na paz do Senhor ;)! Não sei quando vou à IVI, agora eles também vão estar de férias, lá para Outubro, talvez, até lá vamos ver ainda não decidi se tomo pílula ou se tente alguma coisa naturalmente, como o Dr. Setúbal aconselhou, ainda tenho mais um dia para pensar... Muito tempo portanto! Tudo muito planeado e organizado na minha vida coff coff!
Entretanto tomar a maca foi-se tornando um hábito e bastante suportável. A maca, para quem ainda não teve o desprazer de conhecer é um tubérculo que vive a 4000m de altitude, nos Andes! É um superalimento, rico numa série de nutrientes que supostamente dá energia e vitalidade, melhora o equilíbrio hormonal, melhora a fertilidade e ainda a libido ;). A juntar à maca tomo mais uma pilha de coisas, qualquer dia escrevo em detalhe sobre isso.
E pronto é assim!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Por cá

Por cá vamos andando!
Após a baixa da cirurgia, trabalhei meia dúzia de dias e entrei de férias. As férias já estavam marcadas no trabalho desde Abril, mas não tínhamos reservado nada. Aguardávamos o resultado da PET da avózinha mais querida, para decidir o que faríamos. 
O marido estava super cansado, muito trabalho, muitas piscinas até Lisboa, para ir com a criatura (eu), para exames e consultas e depois para visitar a criatura ao hospital. Assim que o milagre aconteceu (PET ok) marcámos 3 noites a sul para descansar o corpo e a mente. 
Foi bastante bom, estar a dois, relaxar e foi apenas interrompido pelas dores da criatura. Sim, dores! Há uma coisa que a cirurgia à endometriose não pode tratar, a adenomiose. Quer dizer poder tratar pode, com histerectomia... Tenho adenomiose (endometriose dentro do miometrio/camada muscular do útero) diagnosticada desde 2011, mas, felizmente, sem muitos dos seus sintomas tipicos, nomeadamente, sem dores no útero. Pois que dores no útero não me largam há uma semana, com contrações uterinas, acompanhadas de perdas de sangue que associo à pílula contínua. 
Como não dá para se viver assim, parei a pílula ontem e aguardo aterrorizada a menstruação.
Não acredito num futuro próspero com estas dores que são físicas e chatas e também bastante terríveis em termos emocionais e psicológicos. 
O Dr. António Setúbal apesar dos valores de amh gostava que tentasse, até novembro, uma gravidez espontânea, eu não sei se seguirei o seu conselho. Para já quero ver como será esta menstruação e quero evitar pensar na cara do Dr. Sérgio quando vir o resultado da amh... Detesto pensar em voltar à IVI! Se há 2 sítios que detesto são a IVI e o atrium saldanha (consultório CEI), só de pensar no aperto no peito e na dor de barriga... Voltar a IVI significa voltar às monitotizações, medições, medicações , e por fim se tudo correr bem,  descongelacao... tão bom... tudo por um filho...

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Uma no cravo e outra na ferradura!

Hoje foi na ferradura!
Que bela notícia este 19/07 nos trouxe! Faz um ano e dois dias, que soube do cancro da minha avó, e hoje tivemos boas notícias. Até tenho medo de escrever.
Cabeça de fora e inspiração profunda à tona de água.

terça-feira, 18 de julho de 2017

E continua

Nesse dia chorámos imenso, imenso enquanto família, não por nós, mas por ela porque não queremos ela sofra e ela, que é avó, que é mãe, que é amiga, que é vizinha, que é dona de um cão que é meu mas que é mais dela, que é confidente, que é tanta coisa, não é só uma velhota de 82 anos, ela é uma pessoa activa e é muito mais do que o que consigo dizer e explicar por palavras, ela é nossa e é muito especial. Nesse mesmo dia, ao final do dia soube que a cirurgia tinha sido aceite e que seria comparticipada pelo seguro.
Em uma semana preparámos tudo, no fim de semana comecei a terrível preparação intestinal e a dieta rigorosa e no dia 3 de Julho fui internada. Esperava-me uma complicada cirurgia com a duração de 4h30 no dia 4 de Julho de 2017! Só que não eram esses os planos que Deus tinha para mim! Quando abri os olhos e consegui perceber o que se passava à minha volta o grande relógio electrónico de parede do recobro dizia que eram 11h. 11h? Mas a minha cirurgia era para terminar lá para as 13h-14h... O que é que se passa aqui, pensei eu! Passado um bocadinho fui para o quarto e sou recebida pela minha mãe que num misto de alegria e alívio por ter ali a sua gaiata, me diz que a cirurgia correu muito bem,e que as coisas não estavam assim tão más, que tinha demorado menos tempo, que as minhas trompas estavam boas e que o Dr. tinha dito que talvez fosse possível uma gravidez espontânea! Uau isso eram boas notícias, que estranho haver boas notícias! A minha recuperação foi boa e está a ser boa, dentro do possível! Fiz uma onfalite que estou a tratar com antibiótico e anti-inflamatório, mas que espero que fique melhor rápido.
A minha avó já fez a PET e pude passar uma semana (de baixa) com ela, o que foi muito bom, agora aguardamos esperançosos o resultado.
O Dr. António Setúbal estava optimista relativamente a uma gravidez espontânea (eu não), mas ontem recebi o resultado da anti-mulleriana pós cirúrgica. No ano passado por esta altura estava a 1,61, agora está a 0,61. O laboratório não é o mesmo mas é triste e desanima um grande bocado. Não chorei nem nada, mas desanimei outra vez, fui-me um bocado abaixo e voltei a sentir-me menos tudo, menos pessoa, menos mulher, menos...
Se fosse outro tipo de pessoa estaria esperançosa e depositaria as minhas esperanças no meu embriãozinho congelado, mas não consigo ser assim, não consigo ser essa pessoa optimista, com muita pena minha. Acho que ele nem à descongelação vai sobreviver, quanto mais implantar. Pensar positivo não é comigo, estou a tentar encontrar uma clínica para fazer psicoterapia e vou voltar a escrever assiduamente por aqui, porque me faz bem.Enquanto estive internada no hospital da Luz falei com uma psicóloga e noto que me fez muito bem, quero continuar com esta experiência.
Quero tentar ser uma pessoa diferente, mais optimista e mais feliz, será possível?

O que ficou por dizer...

Os títulos podiam ser imensos:
- A infertilidade não é para meninos;
- A endometriose é o meu pior inimigo;
- Eu sou a minha pior inimiga;
- Podia ser um título com todas as asneiras e nomes feios que conheço, entre muitos outro títulos possíveis!

Dia 30 de Maio fui a consulta e ecografia com os melhores, o Dr. António Setúbal e o Dr. Alberto Relvas. Ia cheia de medo,porque sabia que isto estava mal. Desde a FIV que sentia dores a nível rectal que tentava disfarçar e desculpar com esperança que a dor se esquecesse de mim, mas nunca esqueceu. Depois da consulta de dia 26 de Maio na IVI, em que levei o balde de água fria, que também já era calculado, era tempo de  levar o próximo.
O único ovário que respondeu um pouco, com 5 ovócitos,  ás doses máximas de estimulação foi o direito, pois claro que era lá que segundo a ecografia se encontrava, supostamente, o endometrioma de mais de 4cm, com perfeita indicação cirúrgica, além do nódulo no septo recto-vaginal que justificava as dores e o incómodo rectal. Marcação de consultas de seguimento, ressonância magnética e segunda cirurgia da minha vida devido à endometriose.
No tempo entre a consulta e a  ressonância deu para fazer o que sei fazer melhor: preocupar-me e ler. Li bastante e cheguei até a convencer-me que não seria operada! Santa inocência! Esta era, aliás, a opinião do Dr. Sérgio, pois uma segunda cirurgia iria destruir ainda mais a minha reserva já de si baixa e má. Sempre que se remove um endometrioma vem tecido ovárico atrás e com ele folículos, o que para quem já tem uma cirurgia anterior e má reserva pode ser devastador e significar falência ovárica.
No dia 6 de Junho recebo orçamento dos honorários médicos para a realização da cirurgia. Como o médico não tem acordo com nenhum seguro, recebo apenas uma pequena percentagem de comparticipação, isto é quando o seguro de saúde autoriza a cirurgia (ainda faltava essa parte). Os valores são astronómicos, mais do que o valor de uma FIV na IVI para se ter noção. Confio de olhos fechados no meu médico, conceituado internacionalmente, o valor das capacidades dele é incalculável, mas eu não sou rica e foi muito complicado aceitar. Aceitar, que mais uma vez a minha vida se resumia a trabalhar para a endometriose e para a infertilidade. Senti muita raiva e uma grande revolta.
Ressonância feita no dia 7 de Junho, lá ultrapassei a minha claustrofobia e não foi preciso levar o temível contraste. 
No dia 8 aparece a menstruação e na madrugada de dia 10 sou acordada por dores horríveis, completamente insuportáveis. Tomei toda a carga de medicação disponível, com misturas que nem sei se são seguras de fazer e só depois de umas 3 horas de sofrimento e de choro compulsivo pela dor física que sentia (com a minha cadela aflita também atrás de mim), consegui adormecer. Nesse dia soube de imediato que não tinha escolha, tinha que ser operada, não havia outra opção, não podia passar por outra menstruação assim, passei o dia de cama, porque era feriado e não tinha de trabalhar. Mas e se tivesse? Como seria? Honestamente, tinha-me esquecido do que eram as dores da endometriose. Não as sentia desde meados de 2011,desde que comecei a tomar a pílula contínua para preparar a primeira cirurgia e não me recordava deste sofrimento. O tempo vai passando e vamos esquecendo a profundidade e a crueldade da dor. Naquele dia pensei imenso nas mulheres com endometriose não diagnosticada, menosprezadas, chamadas de doidas, hipocondríacas, fracas, sensiveizinhas, pelos médicos. Como será sentir esta brutalidade e ainda ser intitulada de histérica e doida? Como se sentirão estas mulheres? Nem que venha o papa! Ter dor na menstruação NÃO É NORMAL! Estes médicos deviam sentir uma vez na vida o que é a dor da endometriose, podia ser que assim percebessem.
Os dias foram passando e resultados da ressonância nada de chegarem! Consulta de pré-operatório no dia 12/06 de manhã e resultados de ressonância nada... Tudo para ajudar ao stress. Entretanto chegam os resultados à tarde e a minha alma fica parva. A endometriose sempre e só me meteu medo pela infertilidade. Estou-me a lixar para mim, sei que não posso viver com mentruações como a de Junho e que tenho que me tratar, mas o que sempre me assustou foi a infertilidade. No dia 12 de Junho isso mudou um pouco, pois ao ler aquele relatório tive medo por mim, pela minha saúde. Ler o caos em que estava por dentro ler que tinha ureteres repuxados, e tantas outras coisas foi verdadeiramente assustador. Relativamente ao endometrioma a ressonância dizia que afinal eram dois! Um no lado esquerdo e um no lado direito e esta foi a única "boa notícia", pois o do lado direito teria "apenas" 1,3cm o que significava perder menos tecido ovárico do único ovário, que embora a carvão, ainda responde! Falava também em comprometimento bilateral das trompas, que foi difícil de aceitar, mas lá fui fazendo o luto pelas ditas e lá fui aceitando que nem por milagre alguma vez engravidaria espontaneamente. Como recebi o relatório da ressonância após a consulta nunca pude discutir este relatório com o médico, porque ele não me respondeu ás perguntas do email e aí ele falhou, o que tentei aceitar como pude.
Entretanto os dias foram passando e nada de novidades do seguro, sem aprovação do seguro não havia cirurgia. O valor total da cirurgia é a soma dos honorários médicos, comparticipados em uma pequena parte pelo seguro e o valor dos gastos hospitalares, que eram outro tanto, estes comparticipados a quase 100% pelo seguro.
No dia 27 de Junho, continuava sem respostas por parte do seguro, apesar dos sucessivos e inúmeros contactos e a minha avó teve consulta de seguimento do cancro da mama. Nesse dia os marcadores tumorais estavam altos e foi marcada uma PET scan, para pesquisa de metástases. Eu sem saber como iria ser a minha vida, se dali a uma semana seria operada ou não.  Estava a ser insuportável lidar com esta avalanche de sentimentos.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Precisava de uma merda a correr bem

Sem saber se vou ser operada porque o seguro está mudo, apesar dos contactos, apesar da insistência estou aqui sem saber o meu destino. Sem saber se daqui a uma semana estou a acordar de uma cirurgia, ou se venho trabalhar.
Hoje os marcadores tumorais da minha avó estavam mais altos e vai fazer uma pet scan. É muito provável, é certo que há metástases. Nos ossos, ou gastrointestinais ou sabe-se lá onde. Eu sei que ela é velhota, eu sei que ela estar comigo até esta idade é um presente que tantos já não têm a sorte de ter, eu sei que há casos tão piores, tanta gente nova, tantas crianças. Mas ela é minha! E eu não quero que ela vá! A falta que ela me faz! Não consigo expressar em palavras tudo tudo o que ela é para mim. Mas o pior não sou eu, que se lixe o eu, que se lixe o que eu sinto. O pior é  ela, é o sofrimento dela, é a ansiedade dela por saber que algo não está bem. Ai como eu queria protegê-la de todo o mal, como eu queria que ela não sofresse, que ela não passasse pelo sofrimento que está a passar. E a minha mãe que é tão tão ligada à sua mãe a passar por isto. Elas não merecem nada disto, ninguém merece, nem novos nem velhos. Maldita doença. 
Não existe Deus.
Depois de uma vida inteira, a ser católica, de ter recebido os sacramentos, depois de ter feito questão de me casar na igreja para pedir o seu amparo e a sua bênção, depois de tudo aos 31 anos vejo-me abandonada à minha sorte e não acredito em mais nada, o que é também motivo de tristeza imensa.


P.s. que me desculpem as meninas que estão grávidas por não vos dar os parabéns como deve de ser tenho estado envolta em tristeza. Mas não pensem nem por um momento que não estou feliz por vocês. Merecem muito muito muito cada alegria que estão receber, estou muito feliz por voces. Que tenham a melhor gravidez, mais descansada e sem sobressaltos possivel é o que vos desejo de coração.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

O testemunho dela e a minha vergonha

Andava pelas redes sociais a rolar o dedo pelas novidades, pelas vidas, que se escrevem em mais um fim de semana. Até que, como um murro no estômago, encontrei o testemunho dela.
Era um sábado de lamento. Era um dia, mais um dia, de inércia, depressão e ansiedade. Pela minha condição, pela minha endometriose, pela minha infertilidade, pela autorização da minha cirurgia pelo seguro de saúde que teima em não chegar, pelo constante vigiar do cancro da minha avó. Era mais um sábado igual a tantos sábados, igual a tantos dos meus dias, quase todos. Dia de tristeza, dia de aperto no peito, dia de angústia, de depressão. Até que encontrei o testemunho dela. Uma "amiga" colocou um like no "testemunho", na partilha dos sentimentos dela. Contrariamente ao que costumo fazer, fui ler.Não a conheço. Tem a mesma idade que eu, tem a mesma profissão, é muito bonita, tem um corpo atlético conseguido concerteza através de muita dedicação. Exercício e uma alimentação saudável. Tem cancro. Tem 30 anos, é muito bonita, muito cuidada, faz exercício diariamente, come bem diariamente e tem linfoma. Tenho 30 anos, não pratico nenhum exercício, não como espectacularmente bem e nada indica que tenha cancro. Porquê ela, não é?  Que sentido faz? Porque estou eu, para aqui a sentir-me lixo ,quando devia aproveitar esta dádiva que é ter alguma saúde. Escreve ela :
"Quero (...) viajar, esquecer tudo isto...mas acima de tudo só queria estar bem! Até poderia não ter emprego, dinheiro...mas se tivesse saúde era a pessoa mais feliz do mundo! ".
Vergonha de me sentir como me sinto, quando há gente a passar por uma merda destas na vida. Muita vergonha. Vergonha ainda maior por mesmo assim, mesmo com este exemplo, mesmo reconhecendo a palerma que sou, o aperto no peito não desapareceu.

sábado, 10 de junho de 2017

Desabafo

Depois de uma enorme crise de dores que  me acordou por volta das 5h30 da manhã e que só apaziguou por volta das 7h30, depois de ter o orçamento da cirurgia, depois de perceber que este ano as minhas despesas devido à endometriose e à sua irmã infertilidade foram superiores àquilo que recebi, sinto uma raiva e uma revolta enorme, pela minha situação. Não me ajuda em nada sentir-me assim, mas é o que sinto uma tristeza e uma revolta profundas.
Coitado do meu marido.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Informação “concreta” ou nim para mulheres com endometriose e as considerações relativas a cirurgia, transcrito das guidelines da ESHRE

A minha base são as ciências e, nestas coisas além dos conhecimentos que tenho, vindos dos relatos e experiências de mulheres com endometriose, que acompanho desde 2011, "gosto" ou sou obrigada pela minha natureza a ler centenas de abstracts e artigos e a pesquisar muito. Assim, deixo-vos ficar, porque acho que pode ajudar alguém, um micro resumo das partes que achei mais importantes nisto da infertilidade e cirurgia de endometriose das guidelines da ESHRE  de 2013 (Management of women with endometriosis Guideline of the European Society of Human Reproduction and Embryology).

Em mulheres inférteis com endometriomas ováricos que se submetem a a cirurgia os clínicos devem proceder à excisão da cápsula do endometrioma, em vez da drenagem e electrocoagulação da cápsula, para aumentar as taxas de gravidez espontânea
As mulheres submetidas a cistectomia devem ser avisadas e alertadas para os riscos de redução da função ovárica, após a cirurgia, e da possível perda do ovário. A decisão de proceder com a cirurgia deve ser cuidadosamente considerada se a mulher já tiver sido submetida a cirurgia anterior.
Em mulheres com endometriose grau III-IV deve ser considerada a laparoscopia, em vez de "esperar para ver", para aumentar as chances de gravidez espontânea.
Em mulheres inférteis com endometriomas maiores do que 3cm não existe evidência que a cistectomia  (remoção de endometrioma) pré tratamento PMA melhore as taxas de gestação.
A cistectomia laparoscópica do ovário em mulheres com endometriomas unilaterais antes de tratamentos de PMA pode não ser útil para melhorar o resultado do ciclo. Esta conclusão é extraída de vários estudos, mas é fraca devido à limitada consistência na interpretação dos resultados. Com base na ausência de diferenças na taxa de gravidez, alguns autores aconselham a cistectomia, enquanto outros aconselham a cautela com a cirurgia devido ao possível efeito nocivo sobre a reserva do ovário. (= nim)

Apenas se recomenda a remoção de endometriomas maiores do que 3 cm antes de tratamentos de PMA para melhorar a dor da mulher ou a acessibilidade aos folículos.
Recomenda-se o uso de PMA para infertilidade associada a endometriose.
Em mulheres inférteis com endometriose os clínicos devem sugerir tratamento de PMA após a cirurgia, visto que as taxas cumulativas de recorreência de endometriose não aumentam após a estimulação ovárica controlada para FIV/ICSI
Em mulheres com endometriomas os clínicos devem utilizar profilaxia antibiótica na punção folicular, apesar do risco da formação de abcesso ovárico após a aspiração de folículos seja baixa.
Em mulheres inférteis com estadio I/II submetidas a laparoscopia antes do tratamento de PMA deve ser considerada a completa remoção de focos de endometriose para aumentar a taxa de nados vivos, apesar do benefício não estar bem estabelecido.

A cirurgia prévia a tratamentos de PMA em mulheres com endometriose peritoneal, é importante, pois aumenta o sucesso das técnicas de reprodução medicamente assistida.






"Suplementos" para a endometriose/má qualidade ovocitária

Rotina de suplementos por aqui:

Pequeno almoço
Matervita
Maca
Curcumina/Boswellia
Pau d'arco
Vida sana
Xarope de aloe vera

Almoço
Maca
Curcumina/Boswellia
Pau d'arco
Vida sana
Resveratrol
Ubiquinol
Xarope de aloe vera

Jantar
Gérmen de trigo
Maca
Curcumina/Boswellia
Pau d'arco
Vida sana
Xarope de aloe vera




terça-feira, 6 de junho de 2017

Triste e cansada

...tem sido assim o meu estado de espírito.
Tento não me ir abaixo. Tento não ser mal agradecida, porque podia ter algo bem pior, mas não me sinto bem.
Ando a fazer imensos exames, amanhã faço ressonância magnética pélvica com preparação intestinal, uma chatice. Faltar ao trabalho, atrapalhar a vida do meu marido, mais uma chatice.
Nalguns dias consigo ter um espírito mais positivo, em dias como o de hoje, com tpm, para piorar, não estou a conseguir.
Ter o médico da infertilidade a discordar do médico da endometriose também não ajuda. E ler estudos que dizem nim à cirurgia também não. 
Não dá para fugir.
Tenho que ir buscar forças, mas já não sei bem onde.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Por um momento

Por um momento, permitam-me não ter fé. Por um momento, não me peçam para acreditar, para ter esperança, para me focar nas coisas boas.
Por um momento, não me digam que vai correr tudo bem.
Por um momento, deixem-me questionar, deixem-me perguntar: Porquê eu? Porquê a mim?
Por um momento deixem-me achar que eu não mereço este fim, este destino.

Depois, como sempre, vou levantar-me, vou voltar a lutar e vou mentir a mim própria com todas as letras e dizer que acredito e que vai correr bem.

A consulta de endometriose não só mostrou a adenomiose, o nódulo no ligamento útero-sagrado como o aparecimento de um nódulo no septo rectovaginal e um grande emdometrioma de 4cm, tudo com indicação cirúrgica. Endometrioma no ovário, no ÚNICO ovário que responde moderadamente à estimulação.  Cirurgia agendada em que mais um pedaço do meu ovário dos meus ovócitos se vai embora e com eles, mais um bocado de mim, da minha alma. Sinto-me um mutante, um ser do outro mundo que anda por aí com as mãos e os braços e a alma pendurada por finos fios.

E é assim o belo dia, em que todos os meus maiores sonhos vão por água abaixo. Estou farta de tentar ser forte e farta de levar com baldes de de água fria.
Permitam-me que hoje esteja assim por um momento.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O dia que antecede uma consulta e ecografia com os especialistas da endometriose, é terrível em termos psicológicos.
Estou tão fartinha desta constante ansiedade.

Inspira, expira e não pira.

domingo, 28 de maio de 2017

O que vai cá dentro #6


Quando começámos a tentar engravidar já sabíamos que, em princípio, a coisa não iria ser fácil.
A cirurgia que abordou os dois ovários, a certeza que a minha reserva ovárica não tinha a mesma "idade" que eu e a endometriose com a sub-fertilidade associada, adivinhavam um cenário de dificuldades.
A gravidez bioquímica animou o meu marido, que dizia ser um bom presságio, se já tinha acontecido uma vez, seria um bom sinal, certo? Para mim nunca o foi, na realidade. 
Hoje em dia sei muito mais já li centenas de artigos e abstracts sobre a endometriose e seus efeitos nos ovários, na quantidade e qualidade dos ovócitos, sobre as técnicas de PMA que são mais eficazes com a endometriose, sobre as minhas hipóteses com a DO e etc.
Neste tempo todo sofremos muito, ansiámos e expectámos imenso, como diz a mylittlefairytale, olho para o espelho e neste ano e meio de tentativas falhadas sinto que envelheci imenso, sinto que empobreci a minha saúde, que não tive grande qualidade de vida, pois contam-se pelos dedos de "meia mão", os dias em que não pensei em infertilidade, em bebés e em gravidez. Não sei o que é viver sem pensar nisto nos dias que correm, e isso é uma grande tristeza, porque a vida é uma dádiva e com toda a certeza, não a tenho encarado assim, tenho sobrevivido dia após dia, apenas isso, sobrevivido.
Neste tempo todo aprendi, que apesar de saber desde os 24 que tenho endometriose, não estava preparada para isto, nem para estas dificuldades todas. Logo eu, que me preparo sempre para o pior e hoje agradeço por isso, por esta "santa ignorância".
Neste tempo todo as minhas ideias mudaram, evoluí um pouco, aceito outras opções que não aceitava ou com as quais convivia muito mal no início da caminhada, como o dinheiro que se gasta e a doação de ovócitos, tudo por um filho é mesmo tudo.
Neste tempo todo já fiz as coisas mais ridículas, já fingi não ver conhecidas que estão grávidas ou que passeiam os bebés orgulhosamente nos seus carrinhos, já fui a pé para casa porque perto de onde tinha o meu carro estacionado estava um casal de conhecidos com a sua recém nascida, já deixei de ir a jantares onde sabia que estavam grávidas, já "fugi" de uma colega que me ia dizer pessoalmente que estava grávida, porque tinha receio de desatar a chorar, e todo um outro conjunto de figuras tristes que me envergonham, mas que preciso fazer para me proteger um bocadinho.

Nesta consulta ouvi do médico tudo o que, linha por linha, mais temia:
- reserva ovárica muito baixa,
- ovócitos de má qualidade, que originam embriões de má qualidade,
- blastocisto de seis dias com menores possibilidades de implantação.
Nada, mesmo nada, é novidade para mim, mas ouvir isto, dói para caraças, não consigo evitar sentir que é uma enorme injustiça termos que passar por isto, não consigo mesmo. Acho que só vou deixar de acreditar quando esgotarmos os embriões de uma doação de ovócitos, até lá vou tendo esperança. É, sem dúvida, uma esperança mais comedida, mais racional e sem os meus "prazos", o engravidar aos 30, em 2017 , o poder dar um bisneto à minha avó antes dela partir, tudo isso está cada vez mais desvanecido. O que não desvanece é o sentimento de culpa de impedir que o meu marido seja pai, e de que os meus sogros sejam avós dos filhos do filho. O meu marido, por seu lado, continua a dizer que me tem a mim, e que não é o fim do mundo se não tivermos filhos, eu não acredito nisso e quando o vejo com crianças...

Por pior que tenha sido esta consulta, num qualquer sentido masoquista trouxe-me uma certa paz, não sei explicar porquê, talvez por aceitar cada vez mais e melhor a DO, não sei. Enquanto estamos à espera de quais serão os próximos passos, pois vai depender da consulta de 3ª feira, vou tomar alguns suplementos que may or may not melhorar a qualidade ovoctiária, nomedamente: ubiquinol, resveratrol, gérmen de trigo, maca e manter o matervita.

A infertilidade é uma guerra, com sangue suor e lágrimas, em sentido literal. Eu já levei com "muitas balas", não sou uma pessoa forte e corajosa, mas sei que esta merda não é para toda a gente e nós temo-nos aguentado por aqui, nuns dias melhor, noutros pior, mas a guerra é mesmo assim.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

1a FIV/ICSI consulta de encerramento de ciclo

Hoje foi a consulta de encerramento deste primeiro ciclo de FIV/ICSI falhado.
A não implantação do blastocisto não quer dizer nada, o facto do blastocisto não ser maravilhoso não ajuda. Temos um de 6 dias mais bonito, mas tem seis dias, logo taxas menores de implantação. Mais difícil, não quer dizer impossível, mas no meu caso....enfim.
Os meus ovócitos são poucos e maus.  Os meus ovários estão podres, não servem para nadinha. O panorama deste ciclo pode ser o nosso padrão, ou não. Pode acontecer o mesmo, ou pior, noutro ciclo de FIV, ou podemos ter um ciclo melhor à nossa espera.
O médico não está preocupado com o spotting que iniciou 2 dias antes do beta, porque é muito frequente. Se tivesse aparecido antes aí sim tínhamos que nos preocupar. Ele não deu importância, diz que pode estar relacionado com a carga muito elevada de hormonas, que faz com que o endométrio não aguente a festa.
Vamos fazer a TEC , sem planos, um dia destes, após uma injecção intramuscular de decaptelyl, que vai acalmar a endometriose por estes lados, simulando uma menopausa com a duração de cerca de um mês. Vou, antes disto tudo, ao meu médico da endometriose fazer consulta+eco na próxima 3a feira. Vamos também fazer os cariótipos e ver como anda a minha tiróide.
O Dr. Sérgio foi impecável e paciente começou a falar e eu a fungar e não cheguei ao ugly crying, mas ainda derramei lágrimas suficientes para o Dr. me trazer um lencito. Ele é da opinião que não devemos partir já para DO e nós concordamos. Vamos fazer mais  um ciclo de FIV, pelo menos, se a TEC não resultar.
Nada de novo por aqui. Detesto voltar ao rol interminável de exames e esperas e resultados.
Tudo por um filho.

domingo, 14 de maio de 2017

Amar pelos dois

Para o meu embrião criopreservado :) :

"Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi para te amar
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada para dar

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração pode amar pelos dois"


Composição: Luísa Sobral




sexta-feira, 12 de maio de 2017

Ter esperança ou não ter esperança?

Ter esperança que um dia vou ter uma barriga como a das senhoras que vejo na rua e no supermercado, é difícil, sentir esta esperança é sentir, ao mesmo tempo, um aperto tão grande no peito que acho que até parece sufocar! Sentir que há, uma pequena possibilidade, de um dia segurar no colo um filho meu, de o sentir nos meus braços e de poder amá-lo ainda mais do que já o amo, de poder demonstrar todo este amor que já sinto deixa-me os olhos cheios de brilho e água salgada. É tão estranho amar antes de ter visto, amar antes de ter conhecido. É amor antes do amor à primeira vista!
Como pode o meu Deus privar-me de tanto amor, privar-me de vida.
Mas como é que se continua a ter esperança sem sofrer? A alternativa é não esperar nada? Como é que se faz o tão publicitado "pensar positivo", sem magoar bem fundo o meu peito e o meu coração? 
Parece "mais fácil" fingir que não se quer, ou fingir que se aceita, ou dizer que vou focar-me nas coisas boas e viver feliz com o que tenho, ou dizer que não acredito nem um bocadinho que vou engravidar e parir um bébé saudável e pronto, ou dizer que se vive bem sem esta vida na minha vida, sem esse amor quando à nossa volta somos constantemente lembrados da alegria que é ter um filho!

Fogo isto é mesmo difícil!

domingo, 7 de maio de 2017

Maio, o dia da mãe e o tempo que não pára

Mais um maio chegou.
Mais um maio, mês da mãe, mês de Maria, primeiro mês do sol mais quente.
Mais um maio em que tenho muito que agradecer. As "minhas mães", isto é, a minha avó e a minha mãe, estão à distância de um telefonema. Tenho-as com alguma saúde, mesmo ali com todo o colo, com todo o amor. E que presente! Que sorte e que bênção é ter a minha mãe.
Mais um maio em que comemoro este dia da mãe como filha, em que o facebook é inundado das novas mamãs que exibem, felizes, os seus rebentos. Também sou feliz, a minha vida está repleta de coisas e sobretudo de gente boa.
Mais do que um dia da mãe, é o passar de mais um maio que me custa. Lembro-me perfeitamente de maio de 2016 e custa-me perceber que está tudo na mesma ou um pouco pior. Em Maio de 2016 fui à primeira consulta de infertilidade e marquei a consulta da IVI. É duro acreditar que um ano já passou, que as rugas e a expressão cada vez mais cansada não perdoam, que a gordura vai acumulando pela inércia e pela depressão, que os cabelos brancos se multiplicam, que a vida e o tempo não param contra o meu desejo, contra a minha vontade. 
Maio não vai trazer o meu sonho, mas espero que me traga mais vontade. De viver.  De cuidar de mim.

Os últimos tempos

Após o negativo os primeiros dias foram um pouco difíceis. O investimento emocional, físico e monetário é pesado, por isso lidar com a desilusão torna-se complicado.
Nós fomos sempre tentando naturalmente, por isso somam-se meses e meses de desilusão, mas esta foi a mais pesada. Nunca tive altas expectativas, nem pensar, aconteceu-nos quase tudo neste tratamento. Desde poucos folículos, até à transferência praticamente cancelada. Foram dias de grande sofrimento, mas a seguir ao desfecho que este tratamento teve o que é difícil é viver nos primeiros dias que se seguem ao negativo. Arrancar. O que é dificil é arrancar! Vive-me muito tempo para aquilo, quando aquilo termina mal, vive-se para quê?  Para muita coisa é certo, vive-se para nós e para os que nos rodeiam, mas ao início, esta simples conclusão não é assim tão simples!
Depois de arrancar a vida voltou ao normal. Com mais medos devido à endometriose, ainda não fui fazer a consulta de encerramento de ciclo, por medo, por falta de vontade de entrar na clinica, porque entretanto estive de férias, mas tenho dores em sítios onde nunca tive e estou apavorada, para ser honesta. Não só não concretizo um sonho, como estou a dar cabo da minha saúde e da minha qualidade de vida.
Estou um pouco farta do universo e a minha fé, por muito que lute, vai desaparecendo um bocadinho mais a cada dia, por muito que me magoe e me custe dizê-lo/escrevê-lo. Neste mês a infertilidade esteve pouco presente (ao contrário da lembrança constante da endometriose), não houve testes de ovulação nem nada que se pareça. Desde há 5 dias começo com dores no peito, eu nunca tenho tensão mamária. Nunca... Nem com projjefik, nem nada de especial com o estrofem, só mesmo com o pregnyl. Na minha cabeça começou a ecoar um muito leve, mas incómodo, será? Porque nunca, em mês nenhum isto me aconteceu, tirando o mês em que engravidei. Claro que depois veio o spotting e tudo mais. O que quero dizer é: universo, eu precisava de lidar com esta porcaria no único mês em que não estava sequer a pensar nisto?  É uma coisa parva, um pensamento idiota, eu sei. A infertilidade é tão difícil, acho que às vezes qualquer coisinha já é demais
Dias difíceis esperam-me. Tinha imensa esperança que este ano fosse melhor, mas dia a dia essa esperança foge.

sábado, 15 de abril de 2017

O que vai cá dentro #5

Tenho muito respeito e muita amizade pelas pessoas que venho acompanhando aqui, neste mundo, da infertilidade. Torço muito por todas vocês, e sei que também torcem muito por mim. Foram inúmeras as vezes que as vossas palavras foram o meu alento, a minha força, porque ninguém, à excepção do meu marido, me compreende como vocês me compreendem. Sem vocês isto seria ainda mais difícil, e não digo isto para parecer bem, digo porque é verdade, porque o sinto. 
A menstruação apareceu dois dias antes do beta hcg, e além de lidar com o negativo, com o betahcg a zeros, custa-me lidar com o facto de ter aparecido a menstruação antes do suposto, é mais uma coisa para me preocupar, para analisar, para resolver. Já fiz progesterona em diversos ciclos e nunca tinha acontecido. A lista de coisas para lidar vai muito longa, tenho a tiróide desorientada outra vez, enfim, está a ser muito. Demais. Vou tentar afastar-me um pouco da infertilidade durante uns tempos, preciso respirar, preciso de ver que há vida além disto tudo, deste sofrimento e injustiça atrozes.
Voltarei, com certeza, aqui amanhã ou daqui a um mês, porque escrever é a minha terapia. Através da escrita consigo uma catarse que não alcanço de outra forma.

Para vocês toda a sorte. Continuarei sempre a acompanhar-vos.

Até já

terça-feira, 11 de abril de 2017

Teste de gravidez negativo

Passaram 8 dias desde a transferência de um blastocisto de 5 dias.
Passei a noite a sonhar com testes de gravidez, daqueles sonhos que são mais pesadelos, pois parecem tão reais! Ora sonhava com teste positivo, ora acordava e quando voltava a sonhar já era negativo e assim, sucessivamente, uma noite inteira... Naaaaa... Esta incerteza e estas noites tão bem dormidas, não são para mim! A falta de sinais de uma possível gravidez, o aparecimento dos sinais que antecedem a menstruação, a juntar à óptima noite que tive, fizeram-me fazer o teste de gravidez, que tinha aqui em casa guardado. Está negativo. Estou triste, mas não consigo chorar. Acho que sequei as lágrimas de vez! 
Não me sinto culpada. Acho que não fiz nada de errado, que possa ter afectado a implantação do nosso embrião. Não aconteceu porque não tinha que acontecer! Estivemos tanto tempo focados neste tratamento, que o verdadeiramente difícil, é continuar a VIVER depois do negativo, isto é, focarmo-nos nos outros aspectos normais do nosso dia-a-dia. Vive-se mais de um mês só para isto, e depois?  Tenho que reaprender a viver normalmente!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Então e o que se faz por aqui, para melhorar a implantação ?

O nosso milagrinho,  que vai ser sempre um milagre, mesmo que não se tenha implantado, foi logo batizado de "cisto". E "cisto", mesmo que não tenha sido possível ficares, eu sei que lutaste muito por isso e sei que querias muito. É incrível o amor que se sente por um conjuntinho de células microscópicas. Eu sinto esse amor por ti.
Bom, mas então o que é que eu fiz para tentar melhorar as chances de implantação?
- Pés sempre quentinhos,
- Apesar de estar de baixa e mesmo com dores tento não estar demasiado tempo em repouso, para não prejudicar o fluxo sanguíneo para o útero,
-Estou a comer bastante gelatina, mas não directamente do frigorífico. Os alimentos frios não são benéficos, tenho por isso comido refeições reconfortantes e quentinhas, com poucos hidratos de carbono e sem glúten, porque nos primeiros dias parecia um balão,
- Comi ananás até 5 dias após a transferência, com aquela parte dura central,
- Desde o dia da punção nunca mais me apeteceu café, não fiz nenhum esforço para não beber, mas simplesmente não me apetece,
- Como todos os dias papa de aveia com chia, mirtilos, canela e mel ao pequeno almoço, uma delícia,
- Descobri umas meditações no youtube muito giras e tenho meditado, às vezes até adormeço.

Depois do que passámos é impossível estar stressada e ansiosa e triste, apesar de saber, porque acho que nós sentimos estas coisas, que isto não resultou, não consigo deixar de me sentir agradecida! Às vezes acho que estou maluquinha, ou que é das hormonas, mas é assim que me sinto! Na verdade, estas duas semanas de espera, são-me muito familiares e acontecem todos os meses há mais de um ano, este sentimento não é uma novidade para mim, talvez por isso me sinta tão tranquila. O facto de ser a primeira FIV/ICSI tambem alivia e atenua um pouco as coisas. Quando se vão somando os tratamentos e os negativos acredito que este período seja bem pior.
Uma boa semana para todas!

domingo, 9 de abril de 2017

Dia 6 pós transferência

Hoje é o dia 6 pós transferência, ou o dia 5, depende se o dia da transferênciaé o dia 0, ou o dia 1! Uma confusão!
Novidade importante! Ficamos com um blastocisto expandido, de dia 6, congeladinho, uma grande benção, pela qual agradeço todos os dias. De resto não há grandes novidades. Estou bem de saúde, já menos inchada, com menos dores, embora ainda vá tendo umas ocasionais e incómodas pontadas nos ovários. A tensão mamária já é quase inexistente. Não fosse o facto do Dr. Sérgio me ter "obrigado" a ficar em casa, pois a natureza do meu trabalho não era benéfica para este período, mal me lembraria o que vai aqui dentro.
Estou muito feliz por termos chegado até aqui. Muito feliz por termos conseguido transferir, e criopreservar um embrião. Muito feliz pelo homem que tenho ao meu lado, o meu grande amor, o meu herói, a minha vida. Estou muito feliz, embora tenha quase a certeza que o meu/nosso "cisto" já não está aqui, tenho muito, mesmo muito a agradecer.

terça-feira, 4 de abril de 2017

O meu milagre

Ontem foi um dia terrível. Chorei o dia todo após o telefonema. Quem me ligou não me deixou réstia de esperança. Perguntei directamente se iria haver transferência, o que me foi respondido foi que estavam lentos eram células nem morulas eram nem a começar a compactar estavam. " Pelo que eu estou a ver aqui o prognóstico é muito muito muito mau" e como 3x mau não parecia suficiente  rematou com "muito reservado". A minha profissão não intetessa para aqui. Mas eu sei o que é que quer fizer um prognóstico 3x muito mau e muito reservado. E quando dou este tipo de notícia a alguém isto significa fim, morte.
Bom, não vou aqui discutir se as coisas deviam ter sido ditas desta forma ou se mesmo que ditas assim não se devia ter rematado com um "mas vamos lá ver porque às vezes estão assim e conseguem recuperar". Mas sabem que mais? Isso agora não interessa porque hoje 5 min antes das 11 todo o nosso sofrimento de ontem valeu a pena!
O meu amor levou com ele o meu telemóvel para o trabalho porque eu não tinha estofo para falar com o laboratório. Não que tivesse esperança, não!  Para nós estava encerrado! Simplesmente não me sentia com coragem de atender mais uma chamada.
Quando ele me ligou e me disse:
- Prepara-te!
Eu pensei preparada para quê então eu já sei, quando ele continuou:
- Temos lá um para transferir.
- Um? Um quê?
Fiquei incrédula, abananada, parvinha de todo.
-Mas é verdade?
Pois era verdade. Já tenho o meu milagre, o meu campeão, cá dentro. É muito bom termos terminado isto com um blastocisto para transferir. É completamente  diferente de chegar ao fim sem nada no ventre. Agora estou PUPO de um milagre. Um grande milagre! E os outros quatro continuam lá, em observação não estão muito bem, mas amanhã logo se vê!
Obrigada pelo apoio, peço desculpa de vos ter induzido em erro.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Acabou tudo

Sou apenas um esboço do que era antes deste telefonema. Não sei como é continuar a viver depois disto.
Sorte para todas

domingo, 2 de abril de 2017

D3

Já passava das 14h30m quando nos ligaram da IVI! Hello tortura! Adorava que conseguíssemos, os dois, lidar com estas esperas pelos telefonemas de uma forma melhor. Não tem sido possível.
Quando finalmente ligaram as notícias eram que os 5 embriões permaneciam viáveis. Temos 1 A, 1B, 3C. Não sabemos bemcomo reagir a estas notícias, se ficamos tristes ou contentes, até porque ainda se põe a hipótese de uma transferência ao quarto dia,  ou seja, amanhã que para mim é novidade. Continuamos bastante apreensivos e com muito medo de não chegar a transferir. 
São dias difíceis.

No news is good news?

Tortura psicológica.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Um grande passo para nós

Dos 7 ovócitos 5 estavam maduros (a sėrio corpo incompetente que não conseguiste amadurecer 7 ovócitos?) e 5 foram microinjectados. Passámos de FIV a ICSI. Dentro daquele embryoscope na IVI está muito amor. Chegámos longe. Mesmo que nos liguem no domingo e nos digam que os nossos embriões, que as nossas células emparelhadas, pararam de crescer, chegámos longe. Se isto acontecer, e se no domingo forem estas as novidades, que aguardamos com ansiedade, vamos ficar completamente destroçados, tristes, desiludidos, frustrados, mas mesmo assim chegámos longe.
Chegámos longe porque tivemos a coragem de avançar, de ser submetidos ao que já fomos submetidos a todo o stress a toda a ansiedade a injeções de hormonas, no meu caso a por seriamente a minha saúde em risco (a minha endometriose bate palminhas a tanta hormona),a uma sedação, etc.
Sabem que mais? Chegámos longe e nós, assim como todos os casais inférteis, e somos tantos, merecemos mesmo ser pais. Merecemos que corra tudo bem, tenho que ter fé que alguém está a olhar por nós e irá valorizar o nosso esforco. Não posso deixar de ter fé e esperança agora. Tenho que me forçar a acreditar todos os dias.

São 11:08

E ninguém liga...
O meu ❤ não aguentaaaaa. Será que nenhum estava maduro? Será que nenhum fecundou? Estariam os folículos vazios?
Esta é sem dúvida a pior parte. Acho que deve ser pior do que a espera pelo beta, quando há transferência...
Que neeeerrrrvvvvos!!!

quinta-feira, 30 de março de 2017

Punção

Hoje foi dia de punção.
A minha primeira punção. Estava bastante nervosa. Já fui operada, e detestei a sensação de ser anestesiada e o período pós cirúrgico/anestésico. No entanto, desta vez foi bem diferente. Soube mesmo bem fugir, um bocadinho, desta loucura toda, que tem inundado os nossos dias.
Ás 9h30 estávamos na IVI, fomos levados pela enfermeira para um quarto muito confortável com casa de banho. Pediram-me para vestir uma bata e calçar ums chinelos, logo depois a enfermeira veio ter comigo, colocou-me a soro ( yaiks yaiks, cateter rosa bem grossinho :) ) e levou-me para o bloco. Já no bloco, apesar da simpatia de toda a equipa, estava bem nervosa, as minhas pernas não paravam quietas, tremia como varas verdes. Desejaram-me bons sonhos e assim foi! Adormeci e passado 15minutos já estava no quarto! O meu marido estava à minha espera e quando acordei já tinha passado da maca para a cama, não me lembro de nada! Parece que fico muito conversadora quando estou sob o efeito de propofol! O meu marido diz que me fartei de falar,  até  perguntei à enfermeira se ela não me podia anestesiar 5 dias, que era espectacular! O meu marido diz que vamos começar a ter o anestésico cá em casa, que eu fico muito fofinha e muito simpática disse à Sra. Enfermeira "obrigada por tudo" e claro, não me lembro de nadinha!
Bom, quando realmente acordei tinha imensas dores, estranhamente, no ovário direito mas sobretudo nas costas e no rim direito. Dores mesmo complicadas. Tive que levar nolotil IV.
Quando melhorei das dores pude beber o néctar de pêssego e as bolachas de agua e sal e só por volta do meio dia, tortura, é que soubemos o número de ovócitos. 7 é o nosso número! Esperemos que seja da sorte!
As dores durante a viagem foram bem difíceis, agora estou melhor. Mantenho-me deitada, em casa, a benuron.
Começou agora a fase 2 deste processo, em que começo a ver o meu telemóvel como o inimigo publico número 1. Só de o imaginar a tocar amanhã apetece-me vomitar! Já sabíamos que iria ser assim, estas esperas, estes impasses.
Tenho que ter fé e acreditar que iremos passar, com sucesso, mais esta etapa! Se há uma semana me dissessem que iria chegar a punção, juro que não acreditava. Baby steps, não posso desistir de acreditar.

terça-feira, 28 de março de 2017

1a FIV, 4a Eco

E não é que o malandrao do meu ovário esquerdo resolveu fazer directa? Os dois folículos cresceram bastante desde ontem e já têm mais do que 15mm. No ovário direito já há alguns bem avançados, espero que não os perca até à punção.
Já parei a estimulação, hoje já dou pregnyl. Foram 11 dias de estimulação.
A punção será 5a feira de manhã.
Vamos ver o que o futuro nos reserva.

segunda-feira, 27 de março de 2017

1ª FIV, 3ª Eco e divagações

Pois hoje foi a 3ª e não última ecografia!
O meu ovário direito tem sido um bom menino, paciente, tranquilo, e muito trabalhador. Tem perfeita consciência que se não for ele a andar para a frente com isto o companheiro de casa não faz absolutamente nada! O ovário esquerdo não veio ao mundo para responder a estimulações, isso de apresentar folículos e fazê-los crescer não é para ele, naaaaa... Isso é para meninos bonitos e betinhos não é para adolescentes (aborrecentes) rebeldes! O meu ovário esquerdo vai toda a santa noite, prá balada e no dia a seguir são ressacas de meia noite! É por isso que ele me dói e pronto mais nada, não serve para mais nada, trabalhar, ainda que seja das 9h ás 17h não é para ele! Doer? Siiiiiiiiiimmmmmm!

Divagações à parte, o ovário direito está com 6 folículos, sendo que 1 tem apenas 10mm e não serve para nada e o esquerdo tem dois, que têm 12 e 13mm, cresceram 1-2mm desde 6ª feira, provavelmente também não vão servir para grandes coisas! Assim, espero que os 5 que sobram façam o seu trabalhinho estão todos com tamanhos muito próximos meus ricos filhos!
Amanhã voltamos para nova ecografia e para decidir a data da punção, que será 5ª ou 6ª feira! Hoje, 11º dia de estimulação, ainda dou as 3 picas menopur+gonal+cetrotide e amanhã logo se vê! 
Se pudesse pedir coisas, pediria milagres, pediria que os folículos de 12 e 13mm fizessem o favor de crescer, seus mandriõezinhos mais fofinhos de sua mãe!


domingo, 26 de março de 2017

Sentimentos avulso

Gostava de ter tido imensos folículos, não só para aumentar as probabilidades disto resultar, mas sobretudo, para o meu marido se orgulhar de mim.
Gostava de ter verdadeira esperança e de acreditar que tenho alguma chance de um dia ser mãe.
Gosto da alimentação que tenho feito na preparação para FIV e de sentir que posso ajudar nem que seja um bocadinho tão pequenino que mal faça diferença.
Gostava de não saber, de não conhecer os meandros da infertilidade.
Gostava de poder dizer à boca cheia que vou ter x filhos porque me apetece sem ter que pensar em mais nada.
Gostava de ter tido irmãos. Foi aí que a endometriose me começou a roubar (a minha mãe também tem endometriose).
Arrependo-me profundamente de não ter seguido o meu instinto e aos 24 anos não ter vitrificado os meus óvocitos a seguir à laparoscopia. Detesto não seguir os meus instintos.
Gostava que na IVI o nosso médico nos acompanhasse mais. Se chegar a punção não vou ter feito uma única foliculometria com ele. Sinto-me desamparada. Nenhuma das médicas que me vê conhece o meu caso em específico, isto deixa-me ansiosa. Gostava de gostar mais da IVI do que o que realmente gosto. Gostava de falar com o Dr. Sérgio sobre o embryoscope e a hipótese de transferirmos apenas se chegarem a blastcisto. 
Gostava de conseguir confiar nos médicos, não consigo, não depois da endometriose ter sido tardiamente diagnosticada e menosprezada.  
Gostava de engravidar e parir, sim, p-a-r-i-r (que eu não sou lâmpada para dar à luz) um bébé saudável.   Gostava de ver escrito, outra vez, num teste "grávida". De ir à praia com um barrigão. Gostava de comprar gorros com orelhas para um bébé nosso, para o nosso filho.
Gostava que, já que Deus me fez infértil, não me tivesse dado relógios biológicos nem instinto maternal.
Gostava de não estar a achar que amanhã vou chegar lá e vai ser tudo cancelado.
Gostava de ser optimista e achar que vai correr tudo bem.

Gostava de não sentir tanta coisa ao mesmo tempo...

sexta-feira, 24 de março de 2017

1ª FIV, 2ª Eco

"É devagar, é devagar, é devagar (...) devagarinho"

Antes de mais, obrigada pelo vosso apoio. Como todas sabemos, este assunto é muito sensível. Dou comigo a pensar, que não devia ser a drama queen que sou. Não estou doente, tenho saúde e não devia andar neste estado de nervos e stress por causa deste tratamento, depois tento desculpar-me a mim própria. Ter um filho é um desejo muito forte, todas sabemos, é um desejo incontrolável, que não podemos desligar. Não é racional. É muito sonhado, muito planeado, muito amado, são muitas emoções. Quando vemos a possibilidade de o conseguirmos cada vez mais longe, é terrível. Tudo isto a juntar ás doses astronómicas de hormonas que injectamos todos os dias, tornam tudo um bocadinho pior.

Relativamente à ecografia.
Hoje foi dia de nova ecografia de monitorização, e para já o nosso número da sorte é o 7, em princípio já não vão aparecer novos folículos.
Temos 7 "bolinhas" a crescer, muito alentejanamente! Os tamanhos variam entre os 10mm e os 13mm-14mm.  Não me parecem muito muito assimétricos, o que deve ser bom.
Para já não nos falaram em cancelar o tratamento, mas também não nos falaram em possíveis datas de punção.
Hoje tenho a barriga um bocadinho mais inchada e umas dores chatinhas começaram a aparecer, já estiveram piores, agora estão melhores. O ovário esquerdo é um rebelde sem causa, dói que se farta, mas só lá tem duas "bolinhas" com 11mm cada uma!
Vamos começar hoje o Cetrotide (mais uma pica e esta é grande)!
Aguardamos, tentando não desesperar! Na 2ª feira vamos repetir foliculometria e fazer análises pela primeira vez.
Continuem a vossa torcida pelos nossos pequeninos, tem resultado :)

quinta-feira, 23 de março de 2017

O que vai cá dentro #4

Sinto-me nesmo triste. Desolada. Não sei porque estou a trabalhar. Não devia. Sinto-me negra por dentro. Conheço o meu corpo. Se algua coisa estivesse a crescer eu sabia.
Estou mesmo mesmo muito em baixo.
Amanhã logo se vê.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Se esta FIV não servir para mais nada...

...é muito muito triste, mas ao menos reponho os meus níveis de vitaminas.
Batido de abacate, banana, chia e a beterraba :)

terça-feira, 21 de março de 2017

1a FIV, 1a Eco

Hoje fomos fazer a primeira foliculometria. Não trago boas notícias. Estou a fazer 300 UI, não se pode aumentar mais esta dose e, como ja era esperado, estou a responder para lá de mal. Nesta altura, depois quatro dias de picas a minha estimulação está pelas ruas da amargura são 6 no total entre os 6.5 e os 8mm. 
Não vou alterar nada na medicação e 6a feira voltamos a medir.
Já chorei e chorei e chorei, já carpi a minha dor e já levantei a cabeça! São poucos, mas são os que tenho. Tenho que acreditar neles e vou acreditar até que me digam que é para desistir. No meio daquela "miséria" pode estar a metade do meu filho/a e não sou eu, a mãe, que vai desistir deles.
Vou continuar a minha parte do tratado, fazer uma alimentação saudável, beber bastante água e dar as picas à hora certa. De resto, vou rezar para que corra tudo bem.
Há muito stress nesta altura, mas faz parte.
Cresçam pequeninos.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Até vou ficar com cara de abacate


Parece então, que o consumo de abacate triplica a possibilidade de sucesso de uma FIV!
É um estudo pequeno, de Harvard, que contou com a participação de apenas 147 mulheres, mas que realmente demonstrou que as mulheres que optavam por uma dieta rica em abacate e azeite, e que tinham por isso os maiores de níveis de gorduras monoinsaturadas tinham 3,4 vezes maior probabilidade de engravidarem, relativamente ás que apresentavam níveis menores.
É apenas um estudo preliminar, mas lá vou eu comer abacates!

sábado, 18 de março de 2017

Então e as picas?

É chato, ter que andar com aquele aparato às 23h30, mas não custa nadinha! Já definimos o esquema, eu administro e o marido prepara e volta a arrumar no frigorífico e pronto, se fosse só isto era canja, não dói nada!

sexta-feira, 17 de março de 2017

O início da caminhada

Hoje foi dia de consulta na IVI.
É o segundo dia do ciclo. Infelizmente não pudemos ser atendidos pelo Dr. Sérgio. Sabíamos que iria ser assim desde o início, mas é muito desconfortável. Senti-me insegura. Percebo que a médica que nos viu tenha que ser mais "seca", para evitar dizer ou fazer alguma coisa que vá contra algo que o nosso médico tenha dito ou feito, mas para quem está ali à procura de um projecto de vida, de um sonho, é desconfortável a frieza que se sente do outro lado. Tanto no público, como no privado, em todas as áreas dos cuidados de saúde há um longo caminho a percorrer neste aspecto. Ser médico, ser profissional de saúde não é "só" ser cientificamente bom. Tem que haver humanidade. Acho que falta uma pitada de humanidade à IVI, ou falta-me uma pitada de frieza a mim.
Conclusão aparentemente os meus ovários estão bem e digo-o sem me sentir nada segura. Não têm quistos foliculares, pois se tivessem não iríamos iniciar estimulação. E endometriomas têm? Não sei. Ninguém abriu a boca.
E 3a feira vai repetir-se a história. Não podemos ser atendidos pelo Dr. Sérgio. Vamos fazer a primeira foliculometria. Não quero sentir-me insegura, mas sinto!
Hoje começamos as picas.

200 Gonal+100 Menopur até dia 20.
Dia 21 é dia de consulta.



quarta-feira, 15 de março de 2017

Porquê e para quê?


Hoje começou o spotting e as dores que não enganam. As confirmações, alínea a alínea, que mais uma vez o milagre não aconteceu. Ainda não estou doida ao ponto de achar, que tinha chances sequer satisfatórias , quanto mais boas de alguma coisa ser diferente este mês. Não é que tivesse construído um enorme castelo, sabemos perfeitamente que nem com FIV isto vai ser fácil, mas ter esperança é completamente inevitável e a sensação de perda e de vazio profundo também. 
Não sei se outras mulheres sentem isto, mas para ser o mais verdadeira possível a minha esperança na FIV é abaixo de zero. Sinto que vai ser um mês em que a minha saúde cardíaca vai ser posta à prova, que vou penar para diabo em termos psicológicos e emocionais para esta coisa não dar em nada. Desculpem lá eu ser este poço de otimismo, mas é precisamente isto que sinto. Adorava desistir disto tudo, que é como quem diz poder desistir, porque eu não posso desistir, não posso dar-me a esse luxo, pois não consigo deixar de querer. Caramba, não consigo deixar de querer o meu filho. E se há dias em que se vive, apesar deste querer tão grande, há dias em que sou apenas uma sombra de mim, há dias em que sou um robot, há dias em que só  sobrevivo.
Tento muitas vezes dar a volta por cima, mas nestes momentos de contacto com a minha realidade vou-me sempre muito abaixo. Mas tenho que levantar a cabeça e enfrentar,exausta, a minha realidade, mais um mês, mais uma vez.
Queria ter forças e pensar de outra forma. Só me ocorrem, no entanto, perguntas.  Porquê?  Para quê? 
Um desabafo que precisava de fazer.

quarta-feira, 8 de março de 2017

7 de Março

Ontem fomos novamente a consulta.
Eish que pilha de nervos. Às vezes, acho que vou sucumbir ao stress e cair dura no meio do chão!!
Deitada naquela desconfortável marquesa, só pensava, se agora estás assim, quando for para contar os folículos passas-te da cabeça!!
Lá veio o Dr. S esteve a ver e o maldito quisto do lado direito sumiu-se! Foi à vidinha dele que já se fazia tarde, yuppi! Do lado esquerdo estava o corpo lúteo, pois ovulei daquele ovário este mês.
Comecei ontem o estrofem 2mg 1 comprimido de manhã e 1 comprimido à noite e agora é esperar, que venha a monstra, para começar a sério, se o meu organismo esquisito permitir... 
Por enquanto o meu número 7, não me falhou :D !

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Show must go on

Não tem sido fácil ver os dias e o tempo a passar e continuar à espera.
Março irá trazer com ele a probabilidade de iniciar um tratamento, mas também uma consulta de controlo do cancro da minha avó, a segunda desde que soubemos o resultado da histopatologia. Temos que encarar isto como a nossa nova realidade, as coisas são mesmo assim, agradecemos por cada dia que a temos conosco e nada mais podemos fazer! Mesmo tendo consciência da sorte que temos, não é fácil lidar com a incerteza destes controlos.
Se por um lado quero que Março chegue, por outro, quero-o bem longe.
E é assim a vida, vejo os miúdos lá fora, da minha janela, vejo princesas elsa, minies, doutoras brinquedos, Marshalls, Jakes Piratas e penso, como era bom quando a princesa, a enfermeira, a dama antiga etc etc, era eu!!! Agora somos crescidos e os problemas, ás vezes, apoderam-se dos nossos dias, impedindo-nos de viver. 

But the show must go on!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Tratamento cancelado

Pois é, o normal aconteceu, tratamento/estimulação cancelados.
Nada de estranho, é o primeiro bump de muitos que nos esperam.
A vida continua.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O que vai cá dentro #3

Não espero nenhum milagre na 2a feira. Para ser honesta, não quero nenhum milagre, na 2a feira. Quero fazer isto num ciclo, em que pelo menos as coisas comecem bem, que o depois, ui o depois... o depois é sempre uma incógnita e já me vou preparando para os constantes entraves, percalços e pequenas tragédias.
O meu coração tem vivido numa pequena ambiguidade. Se por um lado fico contente do Dr. Sérgio achar que as minhas lesões endometrióticas não têm indicação cirúrgica, por outro lado, desde que isto começou em 2011 que acompanho o fórum da apf e que me habituei à famosa constatação, que nunca me sairá da cabeça: "primeiro é importante estares "limpinha" e só depois partires para tratamento". Este estar limpinha, não tem a ver com uma bela banhoca, mas sim com a limpeza de lesões e aderências que, claro, justifiquem cirurgia!
Dia 16 de Fevereiro tenho consulta marcada no CEI com o Dr. António Setúbal e ecografia com o Dr. Alberto Relvas. Já tenho a consulta marcada desde o inicio de Janeiro. Quando o Dr. S. disse que avançaríamos para FIV, pensei "tenho que desmarcar", mas algo cá dentro fez-me estar quietinha. Por um lado não quero ir. Já vos falei do meu pavor de ecografias? Pois. Ultimamente isto tem sido... upa upa... e então com o Dr. AR que medo.  Calha mal mas mal, lá no trabalho tirar este dia, vai ser lindo, já para não falar de gasóleo e portagens. Será que estou a ficar maluquinha?
Talvez siga a minha cabeça e vá ou talvez siga o meu coração e fuja! Gostava que o Dr AS dissesse "pode avancar", sentia-me mais segura.
Não sei , não sei...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

If you want to make God laugh...

... tell him about your plans. (Woody Allen)

Foi isto que esteve a martelar no meu pensamento, a viagem toda de Lisboa a casa.
Quisto funcional, mais uma semana de pílula, mas em princípio tratamento cancelado. 
Sinto-me, extraordinariamente, cansada. Não, não estou triste e desolada. Estou cansada. Sinto-me a chover no molhado. Valerá isto a pena? É só o começo?Acreditem, eu sei. Mas será que nada pode decorrer naturalmente, com alguma normalidade, mais ou menos dentro do planeado? Tem que começar mal ainda antes de ter realmente começado?
É isso. Estou cansada. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O que vai cá dentro #2

Hum.... não vai nada...
Nem me lembro que estou a preparar-me para iniciar FIV.
Estou curiosa para saber como vai ser o dia em que isto me começar a bater e eu me passar... Não vai ser bom, não vai ser bonito... 
Coitado do marido... e da cadela!

Sétimo dia de microginon e estou impecável. Vou fazer uma FIV, eu? Não sei de nada!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Qualquer dia torno-me violenta

Em conversa com clientes no meu trabalho...
Cliente: A minha filha sempre disse, que no ano em que acabasse o curso, ia arranjar o emprego x e que ia comecar logo a trabalhar! Disse também, que no ano a seguir ia casar e que nesse mesmo ano ia ter um filho. Assim foi, foi tudo como ela planeou. Não gosta de surpresas, ahahah!
Dream (pessoa altamente irritada com a conversa, a ficar possuída pelo demónio tal é a soberba e a altivez): Por vezes, adianta muito pouco não gostar de surpresas...


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O que vai cá dentro

Cá dentro não vai nada de especial. Estou calma, tranquila, nada ansiosa. Estou também muito constipada, o que é muito aborrecido, só apetece fugir para casa e descansar. Não estou ainda a fazer nada sem ser a pílula. Nunca uma pílula me fez dores de estômago. Esta é terrível, um refluxo esofágico muito chatinho.
A nível de sentimentos, o que sinto é que este ciclo, aumentaremos as nossas chances de engravidar! Não vamos engravidar na mesma e, no final talvez nem haja transferência, ou talvez haja um beta, que se existir será negativo, mas apenas isso. Não tenho quaisquer expectativas que vá correr bem, mas quero que corra, claro. Sei que para o meio vou stressar imenso com todas as provas! Acho que vou fazer uma check list das provas todas: número, maduros, taxa de fecundação, embriões, ,classificações e já a sonhar alto, blastocistos e congelados!  Sei que vou reagir razoavelmente bem ao negativo, já me habituei a negativos, a menos que as hormonas me dêem muito a volta à molécula!

3o dia de microginon e esofago on fire!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O começo

Hoje é um bom dia para começar!
Hoje é o dia em que vamos entranhar-nos, mergulhar nessa ""festa"", da procura pela vida, que é a infertilidade.
Fomos hoje à Ivi, visitar o Dr. Sérgio. O Dr. Sérgio explicou, que se estivesse tudo decente na ecografia íamos avançar! O quisto folicular desapareceu e o resto vai andando, pelas ruas da amargura! Ai quem me dera viver em Lisboa que ia já ao Dr. Alberto Relvas, para ele me descansar ou me preocupar com o que é que anda para aqui de endometriose. Enfim, também não temho nenhum endometrioma com indicação cirúrgica por isso é fechar os olhos e saltar!
Começa hoje o nosso protocolo curto, da FIV número 1! 
A estrada é longa, o fim está longe de aparecer. Mas quero acreditar que no fim da estrada o céu é mais azul, o mar é mais calmo e o sol é mais quente. 
Quero acreditar, ai quero tanto acreditar, que lá ao fundo estás tu meu amor. Com a carinha enrugada, as mãozinhas pequenas e o choro que procura o meu calor, o meu colo, a minha voz, para te acalmar, para te proteger e te adorar. E a vida não mais será a mesma. 

Dia 1-11: 1 comprimido de microginon

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Ser de caranguejo

Caranguejo. Nome do meio: nostalgia.
Tenho saudades daquele dia, em outubro de 2015 em que decidi parar de tomar a pílula. Tinha 29 anos feitos há um par de meses. Tinha a endometriose em fase de lua de mel. Tinhamos casado também há pouco tempo e íamos mudar-nos para a nossa casa nova a qualquer momento. Os astros pareciam acertados e secalhar mesmo com a endometriose no bucho ia correr tudo bem. Não é que tudo fosse ser fácil, pensava eu. Mas havia histórias boas, de vitórias e eu não estava quieta! Comecei logo acupuntura com um terapeuta que até percebia de endometriose,comecei com fitoterapia chinesa, óleo de onagra, ácido fólico, vitex agnus castus, tudo para ajudar e tentar manter a endometriose bem sossegada. Estava a fazer tudo certo, a ter cuidado com a alimentação, com tudo.
Tenho saudades, caramba sou mesmo caranguejo, desse tempo. Sabem? Dessa esperança ingénua, desse acreditar.
Já passou tanto tempo, ui tanto... foram já tantas desilusões, tantas falhas, tantas lágrimas, tantos sentimentos, tantas palavras escritas.
O que estarei eu a escrever daqui a um ano? Medo do futuro, nostalgia do passado!
Sabem o que quero escrever daqui a um ano? Quero perguntar-vos sobre cocó mole e cocó duro amamentação e mostrar-vos as mãozinhas e os pezinhos dos gémeos.
Quero saber o que é ser mãe, mesmo com endometriose.
Bem hoje não me calo. É dos nervos.

O caminho faz-se caminhando


Amanhã, dia 25 de Janeiro, começa um novo ciclo das nossas vidas. Na minha e na do meu querido marido. Amanhã damos mais um passo na direção do nosso sonho já tão sonhado, já tão amado.
O medo daquela sonda de ecografia, não vou mentir, nem dourar a pílula, é muito. Sinto-me como sempre me senti desde 19 de Janeiro de 2011 quando me foi diagnosticada a endometriose, em pânico. As palavras proferidas, já em Junho desse ano, pelo Dr. Alberto Relvas "endometrioma à esquerda, endometrioma à direita, adenomiose", ficaram marcadas, gravadas em mim, como uma dolorosa tatuagem. Desde esse dia, em que ouvi, em voz alta, o que se passava nas minhas entranhas, fazer um ecografia tornou-se o meu pior pesadelo. O medo de ouvir, novamente, a palavra endometrioma é imenso. Ai que bom que é, então, seguir para tratamento e saber que vou fazer ecografias endovaginais dia sim dia sim! Tenho esperança que, pelo menos, sirva para aliviar este pânico.! Depois,  a seu tempo surgirão outros pânicos, outros medos, relacionados com números de folículos, com ovócitos maduros, com taxas de fecundação, com blastocistos, com embriões congelados, com espessuras de endométrio,etc... É nestas alturas que me lembro como é boa a ingenuidade de um casal sem problemas de fertilidade! Mas essa não é a nossa realidade .
Hoje o período chegou e chegando chega também aquela tristeza, aquela desilusão. Por ser mais um mês que não te tenho junto a mim. 
Tenho que ser forte, continuar a aceitar a minha condição, fugir da depressão e continuar com a coragem de pôr mãos à obra. Na realidade, tenho que saber alimentar e regar a minha esperança, porque se não tivéssemos esperança, que vamos conseguir ser pais, amanhã não haveria consulta.
Amanhã não iremos começar um tratamento iremos traçar o nosso plano e ver o que nos espera se apenas exames, se uma cirurgia. O que vier, virá  e será pelo melhor, é disto que tenho que me convencer e é nisto que preciso muito acreditar.
Sinto-me bem em vir aqui escrever, ajuda-me a permanecer neste espirito da força, da fé, da coragem.



"O caminho é árduo e duro, mas sendo caminho faz-se caminhando"


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Puta de vida


Que puta de vida esta. Está tudo ao contrário. Virado do avesso. Nada flui como deveria, parece que não acontece como supostamente aconteceria.
Puta de vida esta, em que crianças têm cancro e em que os mais velhos, depois de tanto amor dado, têm falta dele.
Puta de vida esta, em que  andamos sempre a correr não temos tempo para estar com os que mais amamos. Vamos para outra cidade,a muitos quilómetros de distância, emigramos, e bem longe ficamos, de quem faz o nosso coração bater.
Puta de vida esta em que casais que só querem ser pais, algo tão pouco excêntrico, tão cru, tão animal, e não o conseguem ser. 
Puta de vida esta quando vemos amigos a sofrer.

PUTA de vida, injusta.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Luto pela gravidez espontânea

O luto, dizem os especialistas, tem 5 fases. Não é que me bateu agora, que precisei mesmo de fazer o meu luto, pela impossibilidade de conseguir uma gravidez espontânea, uma concepção dita normal?
A ideia de conceber um bebé, espontaneamente, num bonito acto de amor e entrega é o que temos como ideal. Conseguir dar um filho ao nosso marido é o que temos como ideal. Desejar e conseguir ser mãe/engravidar é  o que temos como ideal.
Quando começamos a constatar que connosco não vai acontecer assim, que precisamos de ajuda, pode ser complicado. Para mim foi, sem dúvida!! Aliás, continua a ser e, analisando passei claramente por todas as fases do luto.
Fase 1: A negação. A fase em que não achava possível isto me estar mesmo a acontecer, sobretudo pela gravidez bioquímica espontânea que tive, logo no segundo ciclo após paragem da pílula, e primeiro mês de tentativas a sério. Acreditava que no ciclo que se seguia os astros se iriam alinhar em meu beneficio. Ciclo após ciclo não se alinharam...
E assim passei para a fase 2: a raiva. Porquê a mim? O que fiz para merecer isto? Sentia inveja profunda das que conseguiam a sua risquinha sem querer, ou de um mês para o outro, num simples descuido.
À raiva seguiu-se a negociação, em que se começa a perceber que secalhar a "perda" é real, neste caso, a impossibilidade de conceber um bebé "à moda antiga". Aqui tentei negociar através da fé, com nossa senhora, com Deus com orações, promessas...
Seguiu-se a fase 4: depressão. Esta fase surgiu quando reconheci que realmente o problema existia, que o que se passava não era normal. Constatei que a minha endometriose não me tornara apenas sub-fértil, tornara-me infértil. Percebi que sem ajuda não ia acontecer. Pedir ajuda era inevitável e incontornável, não havia como fugir e senti-me triste e sem forças sem ter como escapar da minha realidade. Não queria viver e os meus problemas não tinham solução, porque me recusava a aceitar ajuda.
Estou a viver neste momento a fase da aceitação em que tento realmente aceitar com paz e serenidade o que a vida escolheu para mim. Já não sinto o desespero que sentia e sinto-me com muita vontade de aceitar ajuda. Sinto-me feliz por ter uma linda família e um marido que amo muito e que me ama também. Quero muito ter um filho, quero mais ainda que o meu marido tenha um filho, mas se por algum motivo não tivermos iremos juntos ultrapassar mais este obstáculo.
Força e coragem para quem está na luta

PS Boa sorte para amanhã para a mylittlefairytale e outras meninas, que hoje foi um dia daqueles mesmo bons!