quinta-feira, 10 de maio de 2018

Um jogo de sorte e azar

É assim que muitas vezes vejo isto da infertilidade. Não deve haver campo da medicina e da ciência em que haja tantos "milagres" e tantos "azares", talvez por ainda haver tanto desconhecimento de inúmeros campos relacionados com este tema. Já são conhecidos tantos factores que podem influenciar e até  características genéticas e etc e etc, mas acho que ainda falta conhecer outros tantos. Mesmo assim e sabendo que o controlo de uma situação destas é abaixo de zero tenta-se enganar o destino! Come-se um ananás aqui, um abacate ali, um antioxidante e um multivitaminíco acolá! Faz-se uma acupunctura, espreme-se um pensamento positvo, tenta-se uma meditação, e a quantidade de meditações que existem, hã? Basta recorrer ao youtube e escrever "fertility meditation", as entradas são mais de 60000! Já fiz de tudo, menos macumba senhores! 
Faz-se uma breve pesquisa de relatos positivos de FIV e encontramos centenas de relatos que pretendem comprovar que foi o facto de terem feito isto ou aquilo que resultou num belo positivo!
No outro dia vi aquele primeiro episódio da reportagem da SIC sobre cancro, em que um médico dizia o que para mim é a mais pura das verdades. Dizia, por outras palavras, que admirava imenso as pessoas que conseguem manter um espírito positivo e que é assim lidam com a sua doença. No entanto, no fundo isto é um jogo de sorte e azar, não vamos fazer aqueles a quem as coisas não estão a correr bem, ficarem a achar que ainda por cima a culpa é deles, que deviam ter feito isto ou aquilo, não, de todo, as coisas não são assim, não funcionam assim. 
Vou para esta FIV/ICSI, quando for, que desconfio que vou ter presentes envenenados na ecografia, com um espirito completamente diferente. Não mais positivo, apenas com menos dúvidas, e a esperar muito menos, no entanto muito mais assustada. Pois esta será a última, chover no molhado é que não. Já sei que o cenário é péssimo (poucos e maus, não há muito pior do que isso pois não?) e sei principalmente que os sentimentos que me esperam não são bons, as angústias e as esperas e o zero controle da situação põem-me os nervos em fanicos. 
Depois esta história do não anonimato da doação de gâmetas, que era a minha oportunidade de ter uma família, a minha prancha de salvação, ainda vem piorar tudo, dá-me insónias, sinto que me querem tirar tudo, começando pela sanidade mental.



quinta-feira, 3 de maio de 2018

Balanço

Trombofilias tudo OK. Pelo que vi no blog da Mylittlefairytale faltaram testar umas quantas mutações  só testei uma, mas não há indícios de nada que justifiquem mais investigação...
A tiróide, como já tinha dito está OK.
Agora o Dr. recordou a vitamina D que estava pelas ruas da amargura em Fevereiro e que ainda não repeti, ninguém me mandou repetir, depois de fazer a suplementação. Aguardo que o médico me envie a requisição desta análise para ver como anda a vitamina D, e se ainda dará para fazer estimulação neste ciclo, pois a menstruação veio ontem e serão 12 dias de pílula.
Tenho dias mais animados, em que ao constatar que faço, realmente, tudo por um filho e que acho que pode até correr bem, não por motivos científicos, mas sei lá, por milagre e tenho dias em que não acredito em nada. Tenho feito acupuntura semanalmente que me ajuda a nível emocional, a nível de ansiedade e que tem fundamentos científicos que a defendem como coadjuvante da FIV. Ontem vim de lá animada e hoje estou de rastos e realmente não percebo nada desta vida. Tive dores terríveis,  menstruais, como as que tive antes da cirurgia, receio que na próxima eco já haja um cem número de novas lesões. Quando não é a tiróide são os quistos e agora a vitamina D. Faço tudo certinho, acupuntura, tomo os suplementos todos tento alimentar - me bem e em momento algum há um "prémio" de bom comportamento.
Acabaram as doações anónimas o que significa que nem o nosso plano poderemos seguir em Portugal,teremos que procurar ajuda em Espanha para podermos realizar o nosso sonho... Ou melhor para tentar 
Sei lá é tudo tão difícil e tão complicado que parece mesmo que não é para ser.

domingo, 29 de abril de 2018

É oficial

Terminaram as doações anónimas em Portugal. Porque raio nos fizeram isto? A nós casais inférteis que já tão poucos apoios temos. Porquê? Que revolta é que tristeza sinto. Fizeram-no porquê  Porque acham que temos dadores  em excesso? Então no Único banco público são aos milhões.
Fica a minha pergunta, o que não entendi, se me puderem ajudar, os pais de filhos com embriões doados são a partir de agora obrigados a informar os filhos? Os doadores podem procurar a criança? Estou tão tão desiludida e tão triste com o meu país que nem consigo colocar este sentimento em palavras..

sábado, 28 de abril de 2018

Assustada

Assustada com a possibilidade do fim do anonimato de gâmetas doados. Mesmo assustada.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

As caixas e o nós por cá

As caixas de menopur e gonal pairam há mais de um mês e meio no meu frigorífico. Cada vez que o abro lá estão elas, a olhar para mim, a lembrarem mais um travão, mais uma paragem, mais um passo atrás. Só me apetece atirá-las pela janela.
Já repeti as análises da tiróide. O endocrinologista tinha falado na repetição das análises 6-8 semanas após começarmos a nova dose de eutirox e poucos dias após as 6 semanas os meus valores estão normais, responderam bem à nova medicação. Tenho o ok do endocrinologista para avançar.
Neste período de espera disse ao Dr. Sérgio, que me sentia mais à vontade se fizesse as análises ás trombofilias, mesmo sabendo não ter nenhuma indicação para tal, acho mais seguro. Ele não se opôs e aguardo os resultados, que demoram algum tempo.
Terminei a pílula há 15 dias, e após a menstruação devo iniciar uma nova caixa, penso eu. Não quis estar a tomar pilula até ao inicio da estimulação para não parar demasiado os meus ovários já de si parados.
Tenho feito acupunctura uma vez por semana e a juntar aos meus antioxidantes todos e multivitaminico estou também a fazer fitoterapia. A acupunctura ajuda-me com a ansiedade, pelo menos isso é um efeito benéfico.
Estive de férias, o meu marido não pode tirar todos os dias, fiquei por casa alguns dias sozinha antes de irmos passear e namorar um pouco e não liguei o complicómetro. Muitas horas sozinha costumam ser terríveis para mim, mas desta vez não senti a ansiedade que costumo sentir, estive mesmo bem, aguardo ansiosamente a TPM para estragar isto!
Ainda não decidi se marco consulta na ginemed antes de começar efectivamente a estimulação, não me sinto confortável em fazer tudo igual, e gostava de perceber se vamos fazer tudo igual porque na verdade não há mais nada a fazer ou se haverá algo que possamos mudar e que possa, eventualmente, ajudar ligeiramente a coisa. Amanhã devo ligar para a ginemed, vamos ver.
Este tempo de espera pela normalização da tiróide tem passado bem, não sei se é por não perceber para que raio vou fazer tratamento, não sei se é porque me resignei a cumprir calendário, mas tenho estado relativamente tranquila.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Vida

E a dor felizmente melhorou,  hoje já sem sofá e sem calor da lareira agradeço que a dor tenha finalmente dado tréguas. Ainda não me disse definitivamente adeus, mas hoje é de longe o melhor de quatro dias. É terrível viver com dor continua tentando não arrastar ninguém comigo para o precipício da tristeza e melancolia, tentando disfarçar o indisfarçável.
Tenho andado murcha e desanimada como o tempo. Vários pensamentos, decisões e indecisões me passam pela cabeça. Várias rédeas que deveria tomar em várias partes da minha vida. Várias lições que preciso aprender, várias coisas para lidar agora que já não sou mais menina, agora que o tempo passa e com ele trás problemas e mais problemas. Um desafio a cada semana, mais uma barreira e outra e outra ainda.
Perceber que o mar calmo e tranquilo ficou bem longe, lá atrás, quando os desafios do dia a dia eram vividos numa história de bonecas e não de homens e mulheres . Isto de ser pessoa que não quer maçar os outros com as suas coisas, tem muito que se lhe diga. É muita coisa cá dentro à deriva,  a borbulhar, prestes a explodir. É a vida.