segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Mais uma onda

Quando tudo começou há 3 anos não imaginei que era isto que me esperava. Lia testemunhos de algumas mulheres com endometriose e pensava:coitadas. Estão bem piores que eu. Pois isso já não existe. No que toca à endometriose e infertilidade sou uma forte candidata ao prémio da melhor do século.
Ao décimo dia do ciclo ia feliz medir endometrio e folículo para hoje à noite dar o trigger e quem sabe daqui a uma semana estar a transferir.
Nunca.
A nova é hidrossalpinge bilateral. Muitos lutos para fazer. Muitas lutas para travar. Nova cirurgia. Primeira consulta de psicologia. Muito duro.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Wells a paciência tem limites!

A coisa já começou mal, primeiro "um futuro sem bebés não era futuro", que bonita frase não é verdade? Parece tão inofensiva, quando apenas temos capacidade de olhar apenas e só para o nosso umbigo perfeito (e o meu de perfeito não tem nada, após duas laparoscopias, uma delas com uma onfalite), em que tudo acontece como nas histórias de encantar! Uma onda de indignação e dor surgiu nas redes sociais e nos fóruns, pois esta frase magoou e feriu o coração de muitos casais que lutam para concretizar o sonho de serem pais.
Agora surgiu uma nova campanha e adivinhem o "alvo" é o mesmo. Acreditem que percebo perfeitamente, que isto não é intencional, mas caramba depois das chamadas de atenção à marca relativas à publicidade anterior, do que é que eles se lembram? Lembram-se que as melhores coisas da vida não têm preço! Onde estará a vossa sensibilidade meus grandes fofinhos?
"Wells: Dona Dream quanto é que pagou para sentir borboletas na barriga?
Dream: Ora bem Sr. Wells ainda não sinto nada na barriga, só dores terriveis menstruais, no entanto para TENTAR sentir borboletas na barriga já gastei com toda a certeza perto de 20 mil euros! Como vê Sr. Wells, isso de gratuito tem muito pouco! E pelo que sei o vosso planinho de saúde,  fofinho e rameloso, gratuito, não cobre infertilidade pois não? Então secalhar fazíamos a publicidade de outra formazinha não era meus grandes queridos?"
Pois, era isto.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Ponto da situação

O decapeptyl é assim uma coisinha demoníaca e feroz! Meninas se preparem a menopausa não é nice! Disse tantas vezes ao meu marido: a sério que as mulheres têm que passar por isto? Mulher realmente sofre caramba! Os calores senhores os calores, começam a subir pelos braços pelo pescoço até à cara que parece que vai pegar fogo! A mim, o decapeptyl, provocou muitas dores musculares/articulares, descontrolou-me por completo esta tiróide que só agora depois do efeito passar voltou ao seu "normal anormal". Aguardo a menstruação para poder tentar fazer a transferência do congelado, que caso não dê certo será seguida pela tentativa com ovodoação. Não quer dizer que este plano não mude, mas para já é o que me vai na ideia. O meu marido foi fazer o teste de fragmentação dna espermático, para garantir que os nossos embriões não se desenvolvem apenas porque a parte da mãe não tem qualidade e não haver surpresas numa doação ovócitos.
Fiz também 10 dias de antibiótico, de forma a descartar uma eventual ligeira endometrite, pois a histeroscopia e a biopsia não foram muito conclusivas e assim fiz antibiótico só para garantir que fiz tudo.
Em relação ao fim do anonimato da ovodoação preocupa-me imenso, não vou mentir, mas penso que em Portugal a nova lei que sair não irá obrigar os pais a contar aos filhos, apenas caso optem por contar estes poderão obter informação. Ainda pensámos em Espanha mas os valores são muito elevados.
E pronto é isto, tirando alguns problemas de saúde que tenho tido não há muito mais a dizer.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

O náufrago

Sinto que naufraguei em alto mar há 3 anos. Sinto-me a lutar por me manter viva, por me manter à tona de água. Cada dia mais difícil. Depois de tanto tempo a lutar contra as correntes, que vêm de várias direcções, as forças já me vão faltando e muitas vezes tenho vontade de me deixar ir com a corrente, de desistir de lutar. De desistir.
Estou no segundo mês de decapeptyl e de uma menopausa induzida, com um calor infernal e umas dores de cabeça que já me levaram às urgências,mas por um filho tudo.
Na semana passada fui ver a tiróide e mais uma vez descontrolo total. Ninguém me consegue regular, e isto em termos físicos é até emocionais tem muitos efeitos, é pesado. Perdi 5kg e ando bastante cansada,lá consegui falar com o médico por portas e travessas e lá comecei a nova dose.
Fiz a histeroscopia também na semana passada e parece que não há alterações de maior, no entanto fiz biopsia de endometrio e aguardo umas 4 semanas pelos resultados.
O Dr. Sérgio está de férias e agora não sei como vai ser, se tenho que fazer mais uma injecção de decapeptyl, não faço ideia de quando voltarei a ter um ciclo, nem quando poderei fazer a transferência caso o embrião descongele.
A doação de ovócitos é a única esperança que tenho, mesmo sabendo que não é garantia o Dr. falou-me em probabilidades de sucesso de 50%,superior aos 25 % com o meu embrião. Se por um lado a doação me dá alento, por outro tira-me o sono. Sinto que não serei nunca igual aos outros e que aquele segredo me consumirá. Não sei explicar. Não é uma questão de duvidar que sentirei amor igual a um filho que fosse geneticamente meu, isso não me causa dúvidas é o resto. Porque nenhuma das opções  contar e não contar me parece boa, ou será que quero dizer ideal?
Para ajudar mais uma notícia de gravidez.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

(infertilidade) O tempo passa e nada muda

Há um ano atrás já tinha saído do bloco e ouvido as boas notícias. Tudo tinha corrido bem e segundo o médico até tinha boas perspectivas. Naquele dia não me incomodei de estar no piso da obstetrícia, não me incomodaram os recém nascidos, as Marias, os Dinis, os Francisco, pois em breve estaria eu naquele lugar. Seria o meu um daqueles bebés a chorar, daqui a um ano, pensei eu, tudo estará bem. Mas não, uma TEC e uma FIV depois nada está bem.
O corpo ressente-se, o coração e a cabeça também.
Estou em menopausa induzida, e estou a aguentar-me por aqui.
Nada mudou em relação ao que sentia há um mês atrás. Nada está diferente para melhor ou para pior. A vida passa, o tempo passa e nada mudou no que há infertilidade diz respeito.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Honestidade e o fim

A infertilidade destrui-me.
A infertilidade dilacerou-me.
A infertilidade levou-me tudo, o amor próprio, o respeito por mim,a fé, a esperança, a alegria,a vontade de viver, levou-me o acreditar no que é justo, levou-me o acreditar que o esforço e o trabalho árduo dão frutos, são recompensados, provou-me que a endometriose definiu e irá sempre definir a minha vida enquanto ela durar. Serei sempre endometriose, serei sempre infertilidade.
Fiz de tudo e tudo o que fiz foi pouco, foi nada,de nada serviu e para nada servirá. Nunca, nunca vou ser mãe e nada nada vale a pena nesta vida se não puder ser mãe. Todos os sorrisos, todos os momentos de fé e esperança num resultado bom, à medida que o tratamento ia avançando e íamos tendo melhor crescimento, melhor número foram um gozar, um brincar friamente e maquiavelicamente com os nossos sentimentos.
É isto que eu sinto, uma enorme tristeza, uma enorme angústia. Passar por todo este processo para acabar novamente com dois embriões de má qualidade. Podia ter acabado sem transferir? Estou a ser injusta? Que diferença faz não vão implantar.
Para mim acabou.
Acabou este blogue já não faz sentido, acabou a esperança, acabou tudo. Desejo que ninguém se sinta como eu me sinto neste momento, nunca na vida. 
Nunca vou ser mamã com endometriose, nunca vou ser feliz.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Transferência embrionária

Houve transferência! De um embrião (não sei letras), mas de qualidade mediana. É um blastocisto expandido.
Ainda não sabemos se restará algum para criopreservar. Por enquanto os 6 estão lá, mas lentos. A assimilar!