domingo, 14 de maio de 2017

Amar pelos dois

Para o meu embrião criopreservado :) :

"Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi para te amar
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada para dar

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração pode amar pelos dois"


Composição: Luísa Sobral




sexta-feira, 12 de maio de 2017

Ter esperança ou não ter esperança?

Ter esperança que um dia vou ter uma barriga como a das senhoras que vejo na rua e no supermercado, é difícil, sentir esta esperança é sentir, ao mesmo tempo, um aperto tão grande no peito que acho que até parece sufocar! Sentir que há, uma pequena possibilidade, de um dia segurar no colo um filho meu, de o sentir nos meus braços e de poder amá-lo ainda mais do que já o amo, de poder demonstrar todo este amor que já sinto deixa-me os olhos cheios de brilho e água salgada. É tão estranho amar antes de ter visto, amar antes de ter conhecido. É amor antes do amor à primeira vista!
Como pode o meu Deus privar-me de tanto amor, privar-me de vida.
Mas como é que se continua a ter esperança sem sofrer? A alternativa é não esperar nada? Como é que se faz o tão publicitado "pensar positivo", sem magoar bem fundo o meu peito e o meu coração? 
Parece "mais fácil" fingir que não se quer, ou fingir que se aceita, ou dizer que vou focar-me nas coisas boas e viver feliz com o que tenho, ou dizer que não acredito nem um bocadinho que vou engravidar e parir um bébé saudável e pronto, ou dizer que se vive bem sem esta vida na minha vida, sem esse amor quando à nossa volta somos constantemente lembrados da alegria que é ter um filho!

Fogo isto é mesmo difícil!

domingo, 7 de maio de 2017

Maio, o dia da mãe e o tempo que não pára

Mais um maio chegou.
Mais um maio, mês da mãe, mês de Maria, primeiro mês do sol mais quente.
Mais um maio em que tenho muito que agradecer. As "minhas mães", isto é, a minha avó e a minha mãe, estão à distância de um telefonema. Tenho-as com alguma saúde, mesmo ali com todo o colo, com todo o amor. E que presente! Que sorte e que bênção é ter a minha mãe.
Mais um maio em que comemoro este dia da mãe como filha, em que o facebook é inundado das novas mamãs que exibem, felizes, os seus rebentos. Também sou feliz, a minha vida está repleta de coisas e sobretudo de gente boa.
Mais do que um dia da mãe, é o passar de mais um maio que me custa. Lembro-me perfeitamente de maio de 2016 e custa-me perceber que está tudo na mesma ou um pouco pior. Em Maio de 2016 fui à primeira consulta de infertilidade e marquei a consulta da IVI. É duro acreditar que um ano já passou, que as rugas e a expressão cada vez mais cansada não perdoam, que a gordura vai acumulando pela inércia e pela depressão, que os cabelos brancos se multiplicam, que a vida e o tempo não param contra o meu desejo, contra a minha vontade. 
Maio não vai trazer o meu sonho, mas espero que me traga mais vontade. De viver.  De cuidar de mim.

Os últimos tempos

Após o negativo os primeiros dias foram um pouco difíceis. O investimento emocional, físico e monetário é pesado, por isso lidar com a desilusão torna-se complicado.
Nós fomos sempre tentando naturalmente, por isso somam-se meses e meses de desilusão, mas esta foi a mais pesada. Nunca tive altas expectativas, nem pensar, aconteceu-nos quase tudo neste tratamento. Desde poucos folículos, até à transferência praticamente cancelada. Foram dias de grande sofrimento, mas a seguir ao desfecho que este tratamento teve o que é difícil é viver nos primeiros dias que se seguem ao negativo. Arrancar. O que é dificil é arrancar! Vive-me muito tempo para aquilo, quando aquilo termina mal, vive-se para quê?  Para muita coisa é certo, vive-se para nós e para os que nos rodeiam, mas ao início, esta simples conclusão não é assim tão simples!
Depois de arrancar a vida voltou ao normal. Com mais medos devido à endometriose, ainda não fui fazer a consulta de encerramento de ciclo, por medo, por falta de vontade de entrar na clinica, porque entretanto estive de férias, mas tenho dores em sítios onde nunca tive e estou apavorada, para ser honesta. Não só não concretizo um sonho, como estou a dar cabo da minha saúde e da minha qualidade de vida.
Estou um pouco farta do universo e a minha fé, por muito que lute, vai desaparecendo um bocadinho mais a cada dia, por muito que me magoe e me custe dizê-lo/escrevê-lo. Neste mês a infertilidade esteve pouco presente (ao contrário da lembrança constante da endometriose), não houve testes de ovulação nem nada que se pareça. Desde há 5 dias começo com dores no peito, eu nunca tenho tensão mamária. Nunca... Nem com projjefik, nem nada de especial com o estrofem, só mesmo com o pregnyl. Na minha cabeça começou a ecoar um muito leve, mas incómodo, será? Porque nunca, em mês nenhum isto me aconteceu, tirando o mês em que engravidei. Claro que depois veio o spotting e tudo mais. O que quero dizer é: universo, eu precisava de lidar com esta porcaria no único mês em que não estava sequer a pensar nisto?  É uma coisa parva, um pensamento idiota, eu sei. A infertilidade é tão difícil, acho que às vezes qualquer coisinha já é demais
Dias difíceis esperam-me. Tinha imensa esperança que este ano fosse melhor, mas dia a dia essa esperança foge.

sábado, 15 de abril de 2017

O que vai cá dentro #5

Tenho muito respeito e muita amizade pelas pessoas que venho acompanhando aqui, neste mundo, da infertilidade. Torço muito por todas vocês, e sei que também torcem muito por mim. Foram inúmeras as vezes que as vossas palavras foram o meu alento, a minha força, porque ninguém, à excepção do meu marido, me compreende como vocês me compreendem. Sem vocês isto seria ainda mais difícil, e não digo isto para parecer bem, digo porque é verdade, porque o sinto. 
A menstruação apareceu dois dias antes do beta hcg, e além de lidar com o negativo, com o betahcg a zeros, custa-me lidar com o facto de ter aparecido a menstruação antes do suposto, é mais uma coisa para me preocupar, para analisar, para resolver. Já fiz progesterona em diversos ciclos e nunca tinha acontecido. A lista de coisas para lidar vai muito longa, tenho a tiróide desorientada outra vez, enfim, está a ser muito. Demais. Vou tentar afastar-me um pouco da infertilidade durante uns tempos, preciso respirar, preciso de ver que há vida além disto tudo, deste sofrimento e injustiça atrozes.
Voltarei, com certeza, aqui amanhã ou daqui a um mês, porque escrever é a minha terapia. Através da escrita consigo uma catarse que não alcanço de outra forma.

Para vocês toda a sorte. Continuarei sempre a acompanhar-vos.

Até já

terça-feira, 11 de abril de 2017

Teste de gravidez negativo

Passaram 8 dias desde a transferência de um blastocisto de 5 dias.
Passei a noite a sonhar com testes de gravidez, daqueles sonhos que são mais pesadelos, pois parecem tão reais! Ora sonhava com teste positivo, ora acordava e quando voltava a sonhar já era negativo e assim, sucessivamente, uma noite inteira... Naaaaa... Esta incerteza e estas noites tão bem dormidas, não são para mim! A falta de sinais de uma possível gravidez, o aparecimento dos sinais que antecedem a menstruação, a juntar à óptima noite que tive, fizeram-me fazer o teste de gravidez, que tinha aqui em casa guardado. Está negativo. Estou triste, mas não consigo chorar. Acho que sequei as lágrimas de vez! 
Não me sinto culpada. Acho que não fiz nada de errado, que possa ter afectado a implantação do nosso embrião. Não aconteceu porque não tinha que acontecer! Estivemos tanto tempo focados neste tratamento, que o verdadeiramente difícil, é continuar a VIVER depois do negativo, isto é, focarmo-nos nos outros aspectos normais do nosso dia-a-dia. Vive-se mais de um mês só para isto, e depois?  Tenho que reaprender a viver normalmente!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Então e o que se faz por aqui, para melhorar a implantação ?

O nosso milagrinho,  que vai ser sempre um milagre, mesmo que não se tenha implantado, foi logo batizado de "cisto". E "cisto", mesmo que não tenha sido possível ficares, eu sei que lutaste muito por isso e sei que querias muito. É incrível o amor que se sente por um conjuntinho de células microscópicas. Eu sinto esse amor por ti.
Bom, mas então o que é que eu fiz para tentar melhorar as chances de implantação?
- Pés sempre quentinhos,
- Apesar de estar de baixa e mesmo com dores tento não estar demasiado tempo em repouso, para não prejudicar o fluxo sanguíneo para o útero,
-Estou a comer bastante gelatina, mas não directamente do frigorífico. Os alimentos frios não são benéficos, tenho por isso comido refeições reconfortantes e quentinhas, com poucos hidratos de carbono e sem glúten, porque nos primeiros dias parecia um balão,
- Comi ananás até 5 dias após a transferência, com aquela parte dura central,
- Desde o dia da punção nunca mais me apeteceu café, não fiz nenhum esforço para não beber, mas simplesmente não me apetece,
- Como todos os dias papa de aveia com chia, mirtilos, canela e mel ao pequeno almoço, uma delícia,
- Descobri umas meditações no youtube muito giras e tenho meditado, às vezes até adormeço.

Depois do que passámos é impossível estar stressada e ansiosa e triste, apesar de saber, porque acho que nós sentimos estas coisas, que isto não resultou, não consigo deixar de me sentir agradecida! Às vezes acho que estou maluquinha, ou que é das hormonas, mas é assim que me sinto! Na verdade, estas duas semanas de espera, são-me muito familiares e acontecem todos os meses há mais de um ano, este sentimento não é uma novidade para mim, talvez por isso me sinta tão tranquila. O facto de ser a primeira FIV/ICSI tambem alivia e atenua um pouco as coisas. Quando se vão somando os tratamentos e os negativos acredito que este período seja bem pior.
Uma boa semana para todas!