terça-feira, 8 de junho de 2021

Cancelar o tratamento

Faz hoje dois anos, que na IVI, um médico me disse para cancelar a estimulação.

Não o julgo, o nosso caso era difícil, estávamos a ter o pior resultado de sempre. Por duas vezes contou os folículos, como se não acreditasse que este casal estivesse a passar por isto, por mais uma provação. Se no tratamento anterior tinham tido 9 folículos, agora com 4 era mais que indicado cancelar. Muito humano o Dr. Samuel, visivelmente triste, ou muito bom actor.

Felizmente não cancelámos. E hoje o meu tratamento quase cancelado está aqui a rir e gritar e a dar os melhores abraços do mundo inteiro! Minha rica filha o quanto eu te amo!

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Segundo e terceiro trimestre

Com mais de um ano de atraso, mas com uma enorme vontade de escrever! 
O segundo trimestre não trouxe descanso nas dores, mas a barriga a crescer era uma alegria! Mal podia esperar para que não houvesse dúvidas que aquela barriga era de grávida, nunca me senti tão bonita, tão orgulhosa! Os enjoos passaram, e a comida passou a ter outro encanto, mas sem grandes desejos, excepto a predilecção por comidas envinagradas e mil folhas! Se isto tudo era verdade, o medo, o pânico que este sonho fugisse, deixasse de existir ou que algo não estivesse bem consumia os meus dias, ainda mais quando continuava com o meu exigente trabalho! Muitas vezes o trabalho já não era o meu escape, mas mais um motivo de ansiedade. As dores que não melhoravam, o facto de sentir que podia estar a fazer mal ao meu bebé, o cansaço que começava a aparecer, levaram - me para casa às 16 semanas. Fiquei triste quando fui buscar a baixa, ler que a data do seu término era em Agosto e tínhamos acabado de iniciar o mês de Março. Senti-me um pouco inútil,pois desde que terminei o curso trabalhei sempre... 
Foi por esta altura que na consulta de obstetra, às quase 17 semanas,que nos deram quase a certeza de ser uma menina, nessa consulta em que ficámos tão felizes, não fazíamos a mínima ideia de que seria a última consulta em que iríamos os dois e o último passeio no Colombo após uma consulta, pois a pandemia já tinha chegado e uma ou duas semanas mais tarde é declarado o estado de emergência. Hoje vejo que foi uma bênção podermos saber os dois ao mesmo tempo que íamos ter uma menina! Com o estado de emergência o marido ficou mais tempo em casa, o que acabou por ser bom, pois não me sentia tão sozinha. No último dia de Março fizemos a ecografia morfológica, a mais importante, não sem antes esta ser desmarcada a dois dias de se realizar por ter havido um caso de covid na clínica, felizmente, e com algum stress e esforço e tendo de abdicar do médico que tínhamos escolhido e em quem confiávamos,lá conseguimos marcar. Tivemos uma alegria enorme ao saber que estava tudo bem com a nossa menina. Mas, a pandemia roubou ao pai o gosto e o prazer de estar presente. Ansioso esperava por mim á porta da clínica assim que o vi assenei que estava tudo bem e corri emocionada para os braços do emocionado papá!
Falemos da pandemia e do que ela roubou. A gravidez é vivida intensamente pela maioria dos casais. Nós, que esperámos 4anos por ela, não fomos excepção, claro, e a pandemia roubou-nos e roubou-nos tanto! Ninguém da minha família à excepção dos meus pais e avó me viu grávida,e viram-me pouquíssimo, não pudemos estar os dois nas consultas e na maioria das ecografias, não pude escolher praticamente nada numa loja, queria tocar nas coisas, nos tecidos, queria exibir o barrigão como tanto sonhei, queria passear e nada foi possível, agora olhando para trás acho que me sinto mais assaltada agora do que naquela altura, pois naqueles tempos só queria mesmo era que ela estivesse bem. A entrada no terceiro trimestre fez com que as dores acalmassem o que me permitiu ter uma qualidade de vida superior,permitiu-me preparar o ninho, lavar e passar as roupinhas, com a ajuda da minha mãe e sonhar com a vinda da minha querida bebé. No entanto, esta bebé queria dificultar a vida dos papás até ao final! Comecei a senti-la bastante tarde e ela mexia muito pouco,o que me fez apanhar grandes sustos e ir às urgências algumas vezes. Foi medo de a perder até ao último dia, medo que o meu corpo incompetente não lhe valesse. No fundo, apesar de todos os momentos de dor forte, de medo que vivi, apesar dos sustos que apanhei com esta bebé que estava muito zen e sossegada, posso dizer que adorei estar grávida, a minha felicidade quando sentia o seu pontapé,quando sentia os seus movimentos era imensa e fazia com que todos os problemas do mundo desaparecessem. A minha bebé estava ali, havia vida dentro de mim e isso era o que bastava para ser a pessoa mais feliz do mundo!

terça-feira, 23 de março de 2021

Vida

A um mês de voltar ao trabalho olho para a minha menina, a minha bebé de quase 8 meses a dormir, páro e agradeço. Que bênção é ter este pedacinho de céu na minha vida. Tenho tanto para escrever e quero tanto escrever, não porque alguém me queira ler, mas porque preciso. A maternidade não foi, nem é um mar de rosas, muitas vezes ouvia mães a queixarem-se e não fui solidária, não dei o ombro, nem o apoio que devia ter dado. Como era possível queixarem-se do que mais queria, de algo tão perfeito? Cansaço? Cansaço é ir todas as semanas para Lisboa e exames e injecções e mais exames e mais injecções. E fracassos e esperança e fracassos outra vez, isso simm! Bem... Calhou-nos uma bebé muito intensa, e que não gosta de dormir e se são 7 meses de um amor que cresce a cada dia, quando se pensa que não é possível amar mais, de encantamento, de uma paixão louca que faz doer o coração, também são os 7 meses mais exigentes e extenuantes da minha vida. Se trocava este cansaço por alguma coisa? Se me perguntarem às 3h da manhã não sei o que vos responderia, mas não, não trocava! Claro que não! Se alguém passar por aqui, e se for a primeira vez que lê, verá que o meu caminho foi tudo menos fácil, mas valeu a pena, para chegar ao sitio onde estou neste momento a ver a minha bebé dormir.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

O positivo e o primeiro trimestre

Assim que vi o resultado positivo dei um grito e disse não pode ser, não acredito! Ainda me deu para começar a chorar, mas continuei sem acreditar! Corri para a sala deitei-me no sofá, despi as calças do pijama como se o elástico fosse magoar o pequeno embrião, deitei-me no sofá e disse que não ia mais sair dali! Eu estava grávida? Eu grávida, na mesma frase não parecia possível! Só pode ser um erro! E o teste do dia anterior cuja linha mal se via? Pedi ao meu marido que saísse e comprasse testes, porque era claramente um erro (pois Dream porque um teste de tiras é mais fiável do que um beta...) ! Ele ficou muito mais emocionado do que eu, embora sem me dizer e apesar dos testes feitos não nos darem nenhuma confiança ele acreditava que não era apenas uma bioquímica. Mas lá foi, nada contrariado,acho que também queria mais uma prova, enquanto eu fiquei em "repouso absoluto" com medo até de respirar e liguei para a IVI, falei com a enfermeira que me deu os parabéns pelo valor do beta e marcou de imediato a primeira ecografia para dali a a uma semana e três dias.
Quando chegou lá fiz dois testes em série, um da Well's e outro da Clearblue. Num a linha era bem forte sem margem para dúvida e no outro apareceu um grávida 1-2! Ah afinal era verdade!
Conversámos bastante sobre tudo como seria a nossa visão caso corresse mal, o nosso plano iria mudar? Concordámos que era uma grande vitória, estávamos os dois muito contentes, mas cheios de medo como era de esperar.
Na 2a feira seguinte, 3 dias depois, e sem conselho médico, tivemos a brilhante ideia de repetir o beta hcg! Que ideia de mestre! Que dia horrível! Que espera difícil, percebi logo que não ia fazer mais beta nenhum, lá recebemos o resultado só à noite- 1030 Ui/l. Se pensam que fiquei feliz ou descansada desenganem-se achava que tinha que ser superior, apesar de ter duplicado perfeitamente em 48h, comecei a comparar betas de toda a gente, enfim um inferno!
Estávamos de férias e não conseguimos ir a lado nenhum, o stress era muito, o medo de ir à casa de banho e ver sangue, as dores que não desapareciam... Mas ás 5 semanas e 3 dias as dores eram insuportáveis chorei, chorámos, desalmadamente. Para mim estava tudo acabado, apesar de não ter perdas de sangue acabámos por contar aos nossos pais e ir ao hospital da Luz às urgências. Chorei chorei chorei foi um momento horroroso. Não me conseguia controlar nem acalmar. Na ecografia conseguimos ver o possível para esta altura um saquinho, dentro do útero, com um esboço da vesícula vitelina e sem sinais de descolamento a médica foi muito simpática apesar de cautelosa. Foi uma festa pensava que estava tudo acabado e ainda havia esperança, porque nesta fase não há certezas! No entanto, o alívio que se sente a seguir a uma eco na gravidez é uma coisa para durar horas e depois pumba começamos a "ressacar" e começam os medos todos outra vez e é isto em loop!
Às 5 semanas e 5 dias voltámos ao Dr. Sérgio na IVI e já vimos o pontinho a piscar, o "pixel avariado" como brincou o Dr. Sérgio! É o stress antes da ecografia? Neste dia começaram os enjoos que não me largaram até ás 13 semanas, piores à noite! Mas e se havia um dia sem enjoo? Pânico!!! Maldito Google! O médico optou por me deixar em casa mais uma semana porque as dores permaneciam e eram emocionalmente e fisicamente difíceis. Com calma voltei ao trabalho. No dia 23/12 às 7 semanas e 5 dias voltámos à consulta e esmocionámo-nos ao ouvir o som mais bonito do mundo, o tum tum do coração do nosso bebé! O Dr. Sérgio lá nos descontraiu com as brincadeiras dele "bom isto é um som nos temos aqui gravado e colocamos para vocês ouvirem" o que nos fez soltar uma gargalhada! Tivemos alta da IVI e foi muito bom sair por aquela porta. Uma sensação única, indescritível,um dia que nunca pensei viver. Foi muito especial. Ao fechar a porta disse ao marido espero nunca mais voltar aqui. E é esse o sentimento. Por muito bem tratados que sejamos vivem-se ali momentos que nos despedaçam o coração e que nos marcarão para sempre.
Com o coração um pouco mais calmo, na noite de natal contámos à minha avó que ficou radiante com a novidade sobre a qual estava já muito desconfiada!!!
Ás 8 semanas e 2 dias primeira consulta de obstetricia e uma ansiedade doida! Estou sempre a falar da ansiedade, mas é o que mais tenho sentido ansiedade e medo, mas uma felicidade ainda maior! Primeira consulta, boletim da grávida, tanta emoção!
A Dra. encostou a sonda e estava tudo OK, que alívio enorme!
Continuei a trabalhar com muitos cuidados, muitos enjoos, muitas dores mas o trabalho ajudava-me a ter a cabeça ocupada e a não me sentir inútil.
Ás 11 semanas nova ida às urgências, sentia umas dores muito estranhas e fortes que percorriam a lombar até à zona pélvica hue iam e vinham tipo contracção e que já duravam há uma semana, nesse dia vimos o nosso bebé a mexer e aos pulinhos parecia um sapinho e felizmente estava tudo OK!
É sempre um sobressalto o medo de perder algo que sonhámos e que já amamos e desejamos tanto é terrível. Medo medo medo alegria e medo medo medo é como descrevo esta gravidez. O medo impede-me de aproveitar a gravidez milhões de vezes!
Umas simples análises deixam-me em pânico! E se tivesse toxoplasmose, e a PAPP que estava aumentada... Ecografia do primeiro trimestre e assim que percebi que ia estando tudo bem chorei chorei e chorei (outra vez) nem perguntámos se dava para ver o sexo, o médico é que nos perguntou se queríamos saber, eu respondi não sei, queremos saber? É claro que queríamos, nunca pensamos em ser surpreendidos, mas eu queria lá saber do sexo eu só queria que o meu bebé estivesse bem e estava e isso era só isso que importava! O médico lá disse que apontava para uma Menina sem certezas. Neste dia, às 11 semanas e 6 dias, comprei as minhas calças de grávida! Já andava aflita para aguentar as minhas na barriga apesar de ter perdido 4kg!
Esta ecografia é verdadeiramente um marco! Sentimo-nos um bocadinho mais tranquilos e continuámos a nossa caminhada, o nosso sonho era um pouco mais real!

domingo, 3 de maio de 2020

Dia da mãe

Tão difícil foi viver este dia, especialmente nos primeiros anos de infertilidade. Sempre agradecendo o facto de ter a minha mãe e avó comigo, mas ainda assim sentia uma falta tão grande.
Hoje tenho a minha vida na barriga. Que felicidade! Estou tão grata tão grata por ter A MINHA MENINA (IT'S A Girl ❤️!!) comigo! Só desejo e só peço que continue a crescer forte e saudável tem uns pais babados e qua já a amam muito com todo o coração à espera dela, quando for a altura certa, sem pressas!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

TEC 3 quarta parte

A história já vai longa e nem vos conto como tive que levar seringas com medicação, agulhas e acumuladores de frio para um concerto na fase de estimulação.
Bom, voltando a Novembro, ao dia 10 do ciclo fomos à IVI ver endométrio e folículo, colher sangue, o normal nestas andanças da infertilidade e das preparações para TEC. Como estava tudo OK, folículo a 18 e endométrio a 9, que é uma coisa rara, ficamos animados e apenas aguardando as análises que o confirmaram, mas só no dia seguinte. Pela primeira vez, como a consulta já foi no final da tarde demos o ovitrelle sem saber se estaria tudo OK para avançarmos para a TEC, mas no dia seguinte o Dr. Sérgio ligou a confirmar que estava mesmo tudo bem.
Foi um misto de uma alegria intensa, mas de um medo ainda maior. Era a nossa chance, a última e derradeira com a minha célula. Se queria que corresse bem? Claro, muito! Mas, confesso, que a paz que sentia com a ovodoação nesta fase era muito apaziguante, por vezes sentia uma alegria imensa só por estar a avançar e por de uma maneira ou de outra me sentir mais próxima da realização de um sonho. O maior.
No dia da transferência, exactamente um ano antes e à mesma hora aconteceu uma coisa complicada, mas acreditei que era hora de acontecer uma coisa boa. Fui a última transferência do dia, pude ficar tranquilamente no quarto e na maca a repousar. A transferência correu bem, sem "a bexiga mais cheia do mundo", mas as meninas que já andam nestas andanças há tanto tempo quanto eu, já não fazem muito caso das recomendações pré transferência, no que toca à água, ainda me lembro de na primeira e segunda transferência quase desmaiar pelo desconforto gigante na bexiga," naaaa... é muito tempo a virar frangos". Pedi ao Dr. Sérgio para fazer tudo o que, empiricamente, e sem prejudicar nada, pudéssemos fazer e além de ter feito aspirina fiz também o atosibano intravenoso. Ali na IVI, naquele quarto após a TEC, olhei para a janela e pensei: eu estou grávida, não disse nada ao meu marido, mas senti. Quando saímos e já a caminho de casa recebi o relatório no email e fui ver a foto do blastocisto. Bom, toda a esperança e cenas maravilhosas e esotéricas que sentira há momentos desapareceram, mas o que era aquilo? Uma pessoa lê tanto, vê tanta imagem! que já acaba por saber diferenciar entre um blastocisto "bonito" e um horrível e aquilo era horrível senhores! Já temos a mania que somos biólogos... e não somos! Desabafei com o meu marido que me tentou animar e assim tentei fazer, jantámos hamburguer com muita batata frita, como as americanas tanto falam, e depois de passar horas no Google percebi! A imagem que me mandaram, que colocaram no relatório, é a imagem pré descongelação, ou seja, antes de haver reexpansão e é por isso que ele não estava muito favorecido pobrezinho! Descansei. 
Fiquei em casa apenas dois dias e entretanto fui trabalhar sem que ninguém soubesse o motivo da baixa. Não contámosaa ninguém. Entre o D5 e o D6 comecei com as dores que tinha sentido e, sobre as quais já tinha escrito, nas transferências anteriores. Pensei: é o fim. Não consegui chorar, mas estava tão tão triste, como é natural. 
Uma semana depois da transferência, sem qualquer esperança ou expectativa positiva, comemorámos uma data importante para nós enquanto casal e partilhámos uma garrafa de vinho. Sabia que não tinha resultado,conheço o meu corpo e aí de quem se atreva a dizer o contrário (coitado do meu marido). 
No dia seguinte, quatro dias antes do beta, de manhã, ao colocar o projjefik, o colo do útero estava bem baixo como aconteceu, SEMPRE, em todas as transferências negativas e aí tive a certeza, por um lado agradeci ao meu corpo por me dizer a verdade, por outro mais uma confirmação que ninguém quer sentir quando falamos de algo que desejamos tanto. Fui trabalhar e ao final do dia quando tirei a farda olhei sem querer para o espelho à minha frente e pensei, a minha barriga está estranha. No mesmo segundo desviei o olhar e pensei que estupidez! Fiquei furiosa com a minha mente, como se atrevia a pregar-me partidas! Nesse dia, no caminho para casa, fui aflita de dores a conduzir, só pensava ainda bem que fui puxada novamente para a realidade, pois já estava a pensar: e se... 
Pensava também que precisava de parar o projjefik, para me vir o período e acabar com as malditas dores. Sem qualquer coragem para fazer um teste passei a noite em claro, pelas dores e pela tristeza, que nessa noite me invadiu. Perguntei tantas vezes porquê? Porquê? Porquê? 
De manhã ganhei coragem. Utilizei um teste one step,que tinha comprado há mais de um ano e não vi linha nenhuma. Passado alguns minutos começou a aparecer uma linha tão ténue, tão ténue que tinha imensa dificuldade em ver se realmente lá estava. Liguei ao meu marido, pedi-lhe para vir a casa, mostrei o teste e ele também viu a dita linha. Era uma gravidez bioquimica, claramente, estava no d9. Por aquela altura em situações normais já teríamos que ter uma linha mais escura. Estranhamente não fiquei triste, fiquei estupidamente feliz! Tinha conseguido qualquer coisa, após transferência de um embrião com alguma qualidade o meu corpo tinha feito qualquer coisa! Algum dia ia correr tudo bem! É incrível o quanto a hipótese de algo, ainda que não acreditasse mesmo que fosse correr bem, me deixava mais optimista. A mim e ao meu marido. 
No dia seguinte de manhã novo teste. Da mesma marca e, novamente, uma linha que mal se via. Estava confirmado. Era bioquímica, não havia aumento do beta, mas em casa estávamos contentes com aquela pequena conquista. O próximo passo seria fazer o beta e seguir o nosso plano. 
Na manhã seguinte fui ao laboratório, passei o dia tranquila, tomei benuron para as dores e à noite fui para a cozinha fazer o jantar sem pensar muito nas análises que entretanto já estavam no meu email. De repente, lembrei-me e fui à sala buscar o telemóvel. Estava curiosa. Qual seria o número daquela risca invisível, talvez 5 ou 10 ou 20 na loucura, mas sem o mínimo de pessimismo e sem achar que seria um problema esta simples gravidez bioquimica e sem nunca me passar pela cabeça que poderia ter um valor de beta normal. 
Fui à cozinha para abrirmos o email juntos. Quando abrimos, o valor que vimos foi inequívoco, não havia margem para dúvida... Aquele 341 Ui/L dizia que estava grávida. 

sábado, 8 de fevereiro de 2020

TEC 3 terceira parte (a estimulação)

Em Abril fomos a consulta, tivemos o ok, parei a pílula contínua, tive ciclo em Maio e após a menstruação, iniciei novamente a pílula, para preparar o início da estimulação. Ficou logo definido que não faria transferência a fresco, nunca me senti bem com transferências tão pouco tempo após punção, todo o stress desta fase e toda a inflamação abdominal pelos shots de estrogenio, a meu ver, não podem fazer bem. Foi esta a minha decisão que o médico aceitou,apesar de segundo ele não existirem motivos para não fazer transferência a fresco.
Entretanto fui tomando todos os suplementos que podia:
-açai uma colher de sopa por dia,
-600mg de coenzima q 10,
-gestacare pré concepcional,
-omega 3
-resveratrol,
-vitamina É,
-pycnogenol, acredito que estes também ajudaram um pouco na qualidade. Mas, para mim, o que acho que fez diferença foi não ter pedido tanto aos meus ovários. A estimulação foi "apenas" feita com Menopur 225 UI, ao invés das 300 UI de combinação de Gonal e Menopur que tinha feito nas duas FIV anteriores.
Não foi fácil, chegámos ao primeiro dia de foliculometria e tínhamos 4 ou 5 folículos e foi este número que nos acompanhou. Ao dia 9 de estimulação a consulta foi com o Dr. Samuel, que é um médico excepcional, tão simpático, tão humano e ele estava tão triste por nós e com os nossos números... Aconselhou-nos a ver como é que as coisas estavam em 2 dias, mas que estava com uma baixa resposta e não achava valer a pena avançar ou então valia a pena apenas fazer punção, congelar os ovócitos, voltar a estimular e depois levar todos a cultura para não estarmos a ir para uma cultura em laboratório que não ia dar em nada. Saímos de lá tão tristes, tão baralhados, tão confusos e tão desiludidos. Passados 2 dias nova visita à IVI e desta vez com o nosso Dr. Sérgio. Ele tem sempre a capacidade de nos fazer ver as coisas, de nos animar e de nos acalmar, dos 6 folículos que viu 4 estavam com o tamanho maduro ideal.  Não estava sequer a pensar em cancelar, recordou que a dose que fazíamos era mais baixa, que o que procuravamos era qualidade. Eu e o meu querido marido, depois de um fim de semana a matutarmos nisto, definimos a coisa da seguinte forma:se tivéssemos 5 avançavamos, se tivéssemos menos do que isso ficávamos por aqui. Pois é, o destino trocou-nos as voltas, eram 4 e agora ali, naquele momento, que faríamos? Iríamos pagar para ver? Foi mesmo isto que dissemos ao médico, vamos pagar para ver! Ele riu-se e disse que não era bem assim! Estavam lá 4! Com vontade de ver se este protocolo realmente nos traria algo de diferente assim fizemos, demos um salto de fé e esperámos pelo melhor.
Vivemos todo o processo com uma calma diferente, não quisemos ouvir falar dos embriões ao dia 3, não usámos embryoscope e, no dia 5 pós transferência, soubemos as novidades. Tínhamos um blastocisto expandido com alguma qualidade! Foi a primeira vez que alguém atribuiu alguma qualidade a um blastocisto nosso de quinto dia e a felicidade nesse dia foi gigante sentimos muita esperança, tanta! Sentimos que tudo tinha valido a pena!
No dia seguinte ainda esperávamos poder ter boas notícias, mas não, os outros não tiveram qualidade suficiente para serem congelados. Foi inevitável sentirmos alguma angústia. Só tínhamos um, era tudo ou nada.