quarta-feira, 5 de junho de 2019
Faz hoje um ano
Faz hoje um ano que deitei a toalha ao chão. Que disse nunca mais! Que disse chega, que disse basta, que disse não aguento mais. Que desisti de lutar, que depois de ter feito tudo, tudo, tudo menos arrancar olhos levei mais um balde de água fria.
Não desisti e já passei por tanto neste ano, em mais este ano. Também tive momentos muito bons,mas em nenhum momento estive próxima de alcançar o meu sonho.
E hoje, um ano depois estamos novamente na luta, numa terceira estimulação, mesmo depois de ter chamado "irrevogável", como o outro, a minha decisão, voltei atrás porque o desejo de ter um filho vale até mais do que a minha palavra de honra.
quarta-feira, 29 de maio de 2019
About infertility
"And once the storm is over, you won’t remember how you made it through, how you managed to survive. You won’t even be sure, whether the storm is really over. But one thing is certain. When you come out of the storm, you won’t be the same person who walked in. That’s what this storm’s all about.”
Haruki Murakami
Hope so. One day. Hope so.
domingo, 10 de março de 2019
Long time no writing
Sem grandes novidades no campo da infertilidade, ou melhor nenhumas, se passaram mais de 2 meses, sem escrever, mais 2 meses de inércia.
Quando tudo começou e lia histórias de infertilidade que duravam anos e anos acreditava piamente que esse não seria o meu cenário. Nem eu, a maior de todas as pessimistas, achava que isto seria tão péssimo. Achava que não ia desistir nunca, agora nada sei.
Tenho andado a vigiar a endometriose. Foi altura de conhecer os seus novos estragos, que para o que costumam ser os seus requintes de malvadez, até nem foi mau.
Não se vive mais para a infertilidade, mas também não se vive feliz. Vou empurrando a vida, as semanas, os dias.
Não me sinto com força física e emocional para avançar para um novo tratamento, não tenho a clínica escolhida ainda, não tenho o tratamento escolhido. Mas como não me sinto bem fisicamente não é altura de avançar para nada.
A minha saúde está débil, tantos anos de stress absoluto e contínuo deixaram a sua marca bem cravada. É preciso dar oportunidade ao corpo para recuperar. Não vejo como pois cada dia me sinto pior e com menos forças para lutar até por mim.
Um beijinho a todas as que conseguiram e as que ainda não conseguiram, cuidem de vós, sempre e acima de tudo.
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
Olá 2019
Olá 2019, conto contigo e tu, também podes contar comigo! Conta comigo para não desistir, mais uma vez, de lutar! Não te iludas, conta comigo também para o melodrama generalizado! Pois é, não sei se 2018, 2017 e os outros anos já te disseram, mas tenho tendência para o drama! O meu signo não ajuda, compreendes? Mas, na verdade, não podemos atribuir a culpa toda aos astros, aos planetas ascendentes e ao Zodíaco no geral. Não, acho que isto é mesmo meu e, para começarmos isto na base da sinceridade, que é como qualquer relação deve começar, devo confessar, que não vejo jeitos de a coisa mudar muito!
Se estiveres bem informado, saberás que tenho tendência a deitar a toalha ao chão perante e primeira adversidade, chorar como uma Madalena arrependida não é bem o meu género, caracteriza-me mais a muita pena de mim própria, "porquê eu, porquê a mim?" é a frase mais escutada, nunca esquecendo "o que é que eu fiz para merecer isto" e por aí vai! Pois é, tudo verdade, porém, se for preciso no segundo seguinte já estou de manga arregaçada, para ir à luta, e para enfrentar tudo o que for preciso, de peito feito, mesmo sem acreditar no tal final feliz!
Os teus antecedentes têm sido um pouco macacos, mas acredito que tu serás melhor, acredito que me trarás aquilo que não te pedi ao comer as 12 passas, porque este ano me recusei a fazer esse sacrifício, mas que em pensamento te transmiti! Saúde, saúde e mais saúde, é o que te peço, para mim e para os meus, cães e bichos incluídos, a continuação da minha sorte maior, no amor, se estiveres mesmo bem disposto algum dinheiro no bolso, e claro a cereja no topo do bolo, os nossos bébés!
2019, não interpretes isto como uma puxação de saco, mas se cumprires estes pedidos, vais ficar muito bem visto!
Se conseguirmos concretizar o nosso tão desejado sonho, seremos uma família diferente, não seremos igual ás outras, é verdade. Os filhos não irão ser parecidos com a mãe, não terão nunca uma ou outra característica familiar dominante, que tanto gostaria de passar à minha descendência, e que percebo agora que era importante para mim. No entanto, garanto que serão criados e educados rodeados de amor, compreensão e paz. Nesta família diferente, tudo faremos para que cresçam saudáveis, íntegros, prometo-te que não os confinaremos numa redoma, que lhe vamos mostrar o mundo desde tenra idade, que viajaremos para todo o lado, nem que seja só em sonhos, e que os faremos muito felizes! Vão crescer sempre com a certeza que foram muito desejados e que são muito amados. Enfim, criaremos uns monstrinhos, uns putos mimados do pior, vamos estragar os gaiatos, já percebeste não é 2019 ;)?
Se nos ajudares, seremos diferentes sim, com toda a certeza, com todas as nossas particularidades e meandros, mas não seremos menos família! Deixas-nos tentar?
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
O meu luto, as minhas dúvidas, os meus medos
Acho que ainda não consegui concluir o meu processo de luto pelos meus genes, sinto uma enorme vontade de amar, de cuidar de um filho, mas o luto por nunca poder ter um filho biológico não está fechado. É-me difícil aceitar que nunca serei uma mulher igual ás outras, uma família igual ás outras. Sinto-me ridícula a escrever isto, acho um absurdo escrever isto, mas é o que me vem à cabeça, porque o padrão não é este, porque a ""normalidade"" não é esta.
A minha cabeça parece um turbilhão ora penso uma coisa, ora penso outra, está terrível e jamais avançarei sem certezas! Não quero desistir dos meus genes, que não são fantásticos, mas são meus e conhecidos, e o que conhecemos dá-nos segurança, mas ao mesmo tempo não posso submeter o meu corpo a outra estimulação brutal que tanto mal me faz e que não dá frutos, que não serve para nada.
Preocupam-me horrores as questões de saúde, não consigo sair deste ponto, não consigo avançar. Como é que viverei na ignorância de não saber se o meu filho ou filha terá muito maiores probabilidades de imensas doenças que eu não conheço. Sabemos que há famílias com imensos casos de certos tipos de cancro, doenças cardiovasculares e por aí vai. Se for menina, como é que ela vai responder quando mais tarde lhe perguntarem se tem cancro de mama na família, mãe e avó materna? Como é que posso esconder uma coisa destas?
Não é uma questão de duvidar de amor, se eu pudesse adotar um bébé, iria ama-lo no primeiro instante, quanto mais um bébé nascido de mim.
Também não vou mentir, dizendo que não gostaria de ver certas características muito marcantes na minha família num filho meu, sou humana! Mas não é de todo a minha maior dúvida neste momento.
Não sei qual será o meu caminho, a dúvida permanece, mas cada vez é mais certo que sem a ajuda de outra mulher não poderei nunca concretizar o meu sonho, ou ter melhores hipóteses de o concretizar, será que esta dúvida me vai parar?
sábado, 22 de dezembro de 2018
TEC 2 transferência 4
Negativo.
A dias do Natal mais um negativo. Este parece mesmo uma faca no coração. Tem sido um ano terrível sem tempo para levantar, pela infertilidade e não só. Tem sido um combate de boxe, ainda a recuperar de um soco e já a levar outro.
Apesar de todos os baixos deste ano, e de não ter acreditado durante muitos dias, a partir de determinado momento fui mantendo a esperança que no Natal estaria grávida. É o quarto natal em modo vazio e ter que disfarçar a tristeza e a depressão não é tarefa fácil. Acreditei por momentos que nem tudo pode correr mal, mas afinal pode oh se pode.
De coração em frangalhos e barriga vazia receberei convidados em minha casa e não sei bem como vou arranjar forças, quando só queria estar sozinha no meu canto. Tenho a certeza que apesar de todas as minhas falhas e defeitos, não mereço isto. Sinto uma dor e uma revolta enorme. Sinto-me a lutar contra a maré, acho que isto já é mais do que embriões sem qualidade. Não fui feita para ser mãe, e ainda não sei como viver com este facto.
A dias do Natal mais um negativo. Este parece mesmo uma faca no coração. Tem sido um ano terrível sem tempo para levantar, pela infertilidade e não só. Tem sido um combate de boxe, ainda a recuperar de um soco e já a levar outro.
Apesar de todos os baixos deste ano, e de não ter acreditado durante muitos dias, a partir de determinado momento fui mantendo a esperança que no Natal estaria grávida. É o quarto natal em modo vazio e ter que disfarçar a tristeza e a depressão não é tarefa fácil. Acreditei por momentos que nem tudo pode correr mal, mas afinal pode oh se pode.
De coração em frangalhos e barriga vazia receberei convidados em minha casa e não sei bem como vou arranjar forças, quando só queria estar sozinha no meu canto. Tenho a certeza que apesar de todas as minhas falhas e defeitos, não mereço isto. Sinto uma dor e uma revolta enorme. Sinto-me a lutar contra a maré, acho que isto já é mais do que embriões sem qualidade. Não fui feita para ser mãe, e ainda não sei como viver com este facto.
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
Ponto da situação
Em Outubro quando fui a consulta medir o endométrio, estava doente, aliás tenho estado sempre doente desde o verão, desde que fiz o decapeptyl.
Não acredito que tenha relação, acho que não tem, mas a verdade é que já não sei o que é ter saúde efectiva há alguns meses. Uma semana uma coisa, outra semana outra.
No dia da ecografia estava muito em baixo fisicamente, estava com um problema de saúde que não é novo para mim, mas que é muito debilitante. Receber aquela notícia, foi mais do que o que eu conseguia suportar naquele momento. O estado em que sai da consulta foi um dos pontos mais baixos desta minha infertilidade.
O Dr. Sérgio deu-nos várias hipóteses, no dia em que viu a imagem que seria hidrosalpinge bilateral, desde partir para bloco, até aguardar, até fazer um exame para confirmar.
Recorri à psicóloga da IVI ainda nessa manhã, e ainda bem. Muito atenciosa, muito querida, gostei dela e ajudou-me, ajudou-nos, esclareceu-nos, descansou-nos. Passei o resto do dia em casa a recuperar fisica e emocionalmente e lá arregacei mais uma vez as mangas. Preparei-me para uma nova ida ao bloco, marquei consulta com o possível cirurgião, fui a consulta com ele e pedi-lhe a sua opinião. O de sempre chorar, cair, levantar, erguer, lutar, sobreviver. São 3 anos disto, o calo já é grande.
Optámos por fazer o exame, foi a nossa opção, das três disponíveis. Primeiro ainda acreditámos que o conseguiriamos fazer naquele ciclo, mas não aconteceu, claro, e acabámos por fazer o exame há poucos dias. E o exame revela que não há qualquer hidrosalpinge, portanto não há necessidade de cirurgia. A minha trompa esquerda não funciona, mas a direita está ok e eu fico muito contente por isso, porque ainda não me tiraram as peças todas, ainda tenho uma trompa a funcionar e isso para mim é bom, não serve para nada mas é bom.
Quanto ao futuro não sei, não sei se no próximo ciclo não chego lá para medir folículo e há uma nova calamidade, não sei nunca o que esperar, por isso mais vale não esperar nada e viver um dia de cada vez.
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