Bom, os dias sucedem-se e este primeiro ciclo chega agora ao fim. Como faço suplementação com progesterona, na 2ª metade do ciclo, não há spotting e, nesse campo, tudo bem, tudo normal. Anunciam-se, estes dias, os sintomas da chegada da menstruação, o frio, o cansaço extremo, a vontade mais repetida de fazer chichi e as contracções uterinas, a dor, o de sempre e que não deixa margem para dúvidas. Nesse aspecto tenho a "sorte" de conhecer o meu corpo e de na maioria dos ciclos não ter de esperar os 14 dias para ter certezas, salvo algumas excepções em que fui enganada. No ciclo de FIV bastou-me o frio para saber. Tenho sorte também, de não ter nenhum efeito secundário da progesterona, nem tão pouco sensibilidade mamária, essa só surgiu com o pregnyl, de resto não há medicação que interfira aqui com esta zona.
Não pensem que me venho lamentar deste ciclo ser negativo. Claro que era bom, maravilhoso e merecido este ciclo ser o derradeiro, mas tenho noção que é mais difícil do que encontrar uma agulha num palheiro. Não me tenho iludido nada. Tenho ido ao sabor do vento e tive uma gripe feiosa que não me permitiu lembrar-me muito da coisa. Sei através de controlo e de testes de ovulação quando ovulei, mas não mais do que isso, sei que tive um óptimo fim de semana cheio de sorrisos e alegria a seguir à ovulação, o tão famoso "relaxa que acontece" também não é a desculpa desta vez.
Agora, a única coisa que verdadeiramente peço é que esta menstruação me poupe, em termos de dor e de mau estar. A que ponto cheguei, os meus pedidos resumem-se a não ter dores. O resto, não há Deus, nem talvez médicos que me ajudem.
Nos últimos dias muitas das conversas à minha volta são sobre o tema filhos, gravidezes, partos. Lá estou eu na plateia, a ver a vida dos outros passar enquanto a minha está parada. Tenho estado quase anestesiada, tem sido assim.
Sentir o amor que sinto pela minha afilhada, vê-la chamar-me feliz e encantada de "madinha" olhar os seus olhos lindos fazem-se sentir feliz, muito feliz e triste muito triste. Se este amor já é tão grande imagino, tento imaginar, o que será o amor por um filho nosso. Mais uma vez teimo em não conseguir esquecer, ainda que por um segundo, os dois anos de infertilidade e é cada vez mais difícil conseguir acreditar.
Para a semana estou de férias, ao menos isso.